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Children are our Future.

Títulos Contos Juvenis

 

Camila e Caio        NEW

Férias na Turquia              NEW

 Girimum e as crianças.

A Casa do Pomar  

 Kiu Kiu

Alain O Fantasminha do Alem

A Realizadora de Sonhos

O Arco Iris e a Floresta Verde

 Os Bombons de Marieta

 

Agradeçamos a Deus por já conquistarmos a condição de quem perdoa e entende...
quando muitos ainda estão na condição de ofender e magoar

e são necessitados do perdão e entendimento.

E.R.

     Agradecimentos

A Deus, a Jesus, aos Benfeitores Espirituais, que são nossos Anjos Guardiães que nos inspiram, aos meus filhos Daniel, Janine e Giovana, que me deram meus 6 netinhos, luzes de minha vida, Talles, Kalel, Joshua, Isabella, Georgia e Nicolas, ao amigo Tales de Portugal, aos amigos que revisam as historias escritas diretamente no ingles, e aos tradutores pois sem eles seria impossivel disponibilizar material nos demais idiomas. Tambem agradeço aos amigos que me incentivam sempre a escrever e os que me retornam com o feed back da reação das crianças e jovens. Isso só me estimula e inspira a escrever mais livros e contos.

Camila e Caio

                                                           

 

  Que alegria!!!

 

- Oba! Consegui terminar minha redação em primeiro lugar, vou ganhar o prêmio.   - Oba! 

 

Estava muito feliz o Caio, irmão da Camila.

 

Tudo o que Caio planejava fazer, conversava com a Camila, trocava idéias com ela. Camila tinha muito carinho para com Caio. Não era seu irmãozinho nascido da mesma mamãe e papai, mas isso não modificava o amor fraternal que tinham um pelo outro.

 

Quando Camila tinha 4 aninhos, mamãe ficou muito doente. O médico disse que ela estava com câncer. Camila ouviu quando papai conversava com o médico.

 

Camila não sabia o que era câncer, uma palavra tão diferente, que cansava a boca só em falar.

 

Papai explicou que a saúde de mamãe precisava de muitos cuidados. Mamãe estava doente e que teria de ficar  no hospital por algum tempo.

Mamãe ficou um tempão no hospital. Papai e Camila iam todos os dias ver a mamãe e pediam ao papai do Céu para ajudar a mamãe a ficar boa de novo.

 

Papai do céu atendeu as preces de Camilinha e do papai.  Mamãe foi melhorando, melhorando, os cabelos cresceram tão lindos. Às vezes mamãe ficava tomando sol sentada na cadeira da varanda, e sol fazia os cabelos de mamãe brilharem que nem estrelinhas.

 

Então, 2 anos depois, mamãe já bem saudável, decidira com papai, que Camila precisava de um irmãozinho ou irmãzinha.  Conversaram com  Camila e ela mais do que depressa, muito alegre, gostando da idéia, disse: SIM, eu quero um irmãozinho ou irmãzinha.

 

- VIVA!!! Vou ter com quem brincar!!!

 

Papai explicou que mamãe não poderia dar outro irmãozinho ou irmãzinha, mas que Papai do Céu tinha deixado um presente para eles no orfanato, e lá foram felizes visitar o Caio que tinha a mesma idade que Camila.

 

Foi amizade no primeiro encontro. Camila e Caio se deram tão bem, mas tão bem, que vocês precisavam ver.

 

Naquela visita, conversaram com a Diretora do Orfanato Jesus Menino e foi permitido que a família levasse Caio para passar o final de semana com eles.

 

Para alegria do papai e mamãe, o Caio era bem educado, tinha boas maneiras. Camila mostrava toda a felicidade por ter um irmãozinho para dividir as brincadeiras, ver os desenhos animados juntos, enfim, ter um amigo.

 

Domingo à tarde Caio deveria retornar ao orfanato. Eles nem se preocupavam com isso, tão felizes estavam.

 

Passearam, foram ao zoológico, tomaram sorvete de caramelo. Eram parecidos até nisso – “os dois gostavam de sorvete de caramelo”. A cada minuto descobriam coisas em comum que gostavam de fazer e o que não gostavam.

 

Caio disse a Camila:

 

- Não gosto de chuchu. Camila, na mesma hora...eu também não gosto Caio, mas papai e mamãe sempre me dizem que devemos comer todas as verduras e legumes que ela cozinha, pois precisamos ter os olhos, as pernas, a barriga, os braços, tudo funcionando bem. Se não comermos de tudo, nosso corpo ficará carente, com falta de vitaminas e não cresceremos, vamos ficar anões.

 

Deus me livre!!! - disse Caio mais do que depressa. Não quero ficar pequeno por falta de vitamina. Quero crescer. Vou comer de tudo, tudinho que estiver no meu prato na hora da comida. 

 

Assim, conversavam muito as duas crianças.

 

Camila e Caio pareciam tão felizes. 

 

Camila falou para o Caio, quando estavam subindo na gangorra: - Caio, olha a minha mamãe. Ela é tão bonita. Nos dias em que ela esteve doente, ela ficou sem cabelos e agora os cabelos de mamãe brilham ao sol, são lindos. Eu amo a minha mamãe.

 

Camila amava tanto a sua mãezinha. Sempre agradecia ao Papai do Céu por mamãe estar boa de novo.

Estava começando a escurecer. Papai vinha vindo chamá-los para irem levar o Caio. Não podiam se atrasar, tinham combinado com a Diretora do orfanato.

 

Quando tiveram de se despedir, Camila e Caio choraram muito, assim também a mãezinha de Camila. Mas o papai e a mamãe sabiam que, dentro de pouco tempo, Caio estaria com eles definitivamente. Seria o filho do coração, adotado com muito amor, para ser educado e amado como era Camila.

 

Enfim, depois de algumas semanas de espera, chegou o dia especial.

 

Que alegria. Camila, já desde cedo só pensava na hora de ir buscar o Caio. Preparou seu quartinho, arrumou as bonecas, livros e jogos, deixou tudinho no lugar.

 

Era segunda-feira, e ela não iria para a escola naquele dia. A família iria buscar o Caio antes do almoço e então ele ficaria definitivamente com eles.

 

O encontro foi lindo, abraços e mais abraços. Não se soltaram mais. Era tanta coisa pra conversar os dois pequenos.

 

Quando Caio chegou em casa, encontrou seu quartinho arrumado, tudo em azul e branco, abraçou papai e mamãe, beijando-os, depois correu e abraçou Camila.

 

Ele ia ter um quarto só dele. Ele nunca tinha dormido em um quarto sozinho, pois no orfanato eram 4 beliches em cada quarto, então eram 8 meninos no  mesmo quarto. (Beliche é o nome das camas que ficam umas em cima das outras, por falta de espaço).  Eram seus irmãos do coração que ele lá deixara. Por um segundo apenas, ele pensou que iria chorar, de alegria, emoção e peninha dos irmãozinhos do coração que ficaram no Orfanato Menino Jesus.

 

Mamãe e papai, pressentindo os pensamentos de Caio, disseram a ele: -  Caio, iremos sempre visitar as crianças do orfanato e levaremos brinquedos no natal, doces e jogos. Está bem assim, meu filhinho?

 

Caio abraçou a mãezinha e Camila correu e se juntou a eles.

 

Camila disse ao Caio: - você já olhou embaixo do seu travesseiro,Caio?

 

(Caio estava fazendo que não com a cabeça).

 

- Não?

- Então olhe. Fui eu que fiz. Fiz sozinha, repetia Camila.

 

Caio pegou um envelope feito à mão por Camila. O envelope estava todo decorado com flores de todas as cores e formatos, tudinho feito por Camila.

 

Ele abriu o envelope e dentro tinha um papel também todo desenhado nas bordas. Não era uma cartinha não. Era um poema. Isso mesmo. Camila escrevera um poema para o irmãozinho, poema de Boas Vindas. O poema er assim:

 

Querido irmãozinho Caio,

Até que enfim você apareceu

Eu sempre sonhava contigo,

E rezava ao Papai do Céu,

Para que voce chegasse logo,

E agora que voce chegou em casa

Tudo o que eu tenho também é seu.

Vamos ser bons companheiros

Em todos os dias e horas

Estaremos sempre protegidos

Pela Mãe de Jesus,

Nossa Senhora!

 

Caio leu e ficou curioso. Perguntou para Camila:

 

- Mamãe ajudou você, Camila?

 

Ela respondeu que sim, que mamãe era poetisa e gostava de escrever também. Um dia Camila pensava em ser uma escritora de estorinhas para crianças. Mas agora ela era ainda uma criança.

 

Depois disso, como crianças que eram, desceram para o parquinho para brincarem, os dois irmãozinhos.

 

Papai e mamãe ficaram observando da janela do apartamento, os dois filhinhos brincando no parque, e uma lágrima silenciosa brotou dos olhos da mãezinha de Camila e Caio, pela felicidade de poder dar muito amor as crianças, terem uma família simples, mas tão linda. E ainda havia muitas crianças no orfanato esperando um lar. Isso doía no coração dos pais de Camila e Caio.

 

Papai meditava silencioso, pensando que mais um ano, e estariam no orfanato novamente, buscando outro filhinho ou filhinha para, com Caio e Camila, aumentarem o lar de amor que já haviam construído.

 

Quanto tempo de expectativa.

 

Passados alguns meses, lá estava o Caio, recebendo o seu prêmio na escola, por ganhar o primeiro lugar na redação sobre a Família, que a professora Sofia havia dado como lição da semana.

 

Recebeu um lindo livro da professora que, abraçando-o disse: Caio, a sua redação foi um presente para mim. Li e reli várias vezes e tomei uma decisão. Sua redação inspirou-me a buscar meus filhos que me esperam no orfanato. E com certeza, serão parecidos com você.

 

No dia da entrega do prêmio, lá estavam mamãe, papai e a irmãzinha Camila. Caio estava muito feliz.

 

O que ele esperava mesmo, era chegar o dia de irem buscar um irmãozinho no orfanato. E na mente dele, ele até já sabia quem viria se juntar à família.

 

Mas na mente de Camila, ela queria uma irmãzinha.

 

Na mente de papai e mamãe, eles iriam buscar seus dois filhinhos adotivos, uma filhinha e um filhinho que ainda estavam no orfanato e iriam fazer surpresa pra Camila e Caio.

 

Assim, o lar de nossos amiguinhos ficaria maior.  Camila iria dividir seu quartinho com a nova irmãzinha que viria, e Caio, teria um irmãozinho dormindo no mesmo quarto.

 

Assim todos em casa continuariam a viver em muita paz!

 

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March 2005

Férias na Turquia

Férias na Turquia

 

Era o ano de 1990. Fazia um bom tempo que os novos vizinhos, um casal e tres filhos vieram de um país distante, a Turkia, para residir naquela cidade sulina brasileira tão cosmopolita. Curitiba parece as vezes uma cidade europeia. É a capital que tem o maior número de metros quadrados de verde por habitante no mundo. Porisso a família Gariba a escolheu para que o Sr. Gariba pudesse realizar pesquisas na Universidade local, conveniada com a Universidade de Istanbul.  

 

Com tanto esforço e abnegação em apenas um ano, todos na família se comunicavam muito bem no idioma portugues.

 

Halide era a irmã mais velha de Yasar e Omer. Halide tinha 15 anos e Yasar e Omer tinham 14 anos. Eram gemeos do signo de Gemeos. Faziam aniversário no dia 14 de junho. A festa de aniversário deles foi muito esperada, seria o primeiro aniversário no Brasil e iriam reunir os novos amigos e a casa ficaria cheia de jovenzinhos e jovenzinhas. Era uma alegria para os pais, pois mesmo distante de sua pátria, conservavam a tradição de sempre terem muita gente reunidos em festas familiares.

 

Halide, cursava o mesmo ano escolar dos irmãos menores, na mesma sala de aula, pois, com a mudança dos pais, para o Brasil, Halide se atrasara em um ano escolar, devido a adaptação e aprendizado da língua portuguesa. Já os irmãos, por serem um ano mais novos, a adaptação foi mais rápida. 

 

Com isso, acabaram frequentando o mesmo ano escolar. Eram agora felizes pré-adolescentes. 

 

Os pais, Munira e sr. Bark sempre planejavam um dia retornar a Istanbul pra rever amigos e parentes. Mas por 4 anos não tinham podido realizar o sonho.

 

Agora a oportunidade chegara.

 

A mãe dos jovens Halide, Yasar e Omer, era uma pessoa muito simpática e logo conseguiu ajudar na escola, dando aulas de ingles para os alunos.

 

No início ela foi substituir a professora de Ingles que estava para ganhar bebe, mas com o passar do tempo, dona Munira conseguiu sua própria classe, pois todos aprendiam muito bem com o método que ela usava. Ela usava as aulas de ingles para aprender historia, geografia, poemas, artes em geral, ciencias e até matemática.

 

Ela sempre dizia:

 

 – Para quem estudar bem o ingles, se preparar bem, poderemos pensar em realizar daqui uns anos, uma viajem a Turkia, como premio de descanso nas férias. Ou talvez no meio do oitavo ano escolar. Com isso todos poderão por em prática o ingles que estão aprendendo.

 

Assim, dona Munira com o firme propósito de preparar uma excursão com seus alunos ao exterior, trocou ideia com os pais e professores da escola.

 

Os pais preocupados, em um primeiro momento, acharam que aquilo seria impossível, mas depois, foram gostando da ideia de abrirem o horizonte para seus filhos, como os filhos de Munira vieram conhecer o horizonte verde amarelo das terras brasileiras.

 

Assim que entraram em acordo, começaram a se organizar para a viagem. Agora mais do que nunca tinham um grande motivo para estudar mais ainda os temas das aulas de ingles que versavam sobre a historia da Turkia, nomes de cidades, seus poetas, tudo, tudinho em ingles. Até o mapa da Turkia foi estudado na aula de Geografia.

 

Quando alguem de fora tomava conhecimento que um grupo de 15 alunos se preparavam pra fazer uma excursão a Turkia, algumas pessoas arriscavam dizer:

 

Turkia? Mas porque Turkia, com tantos países mais interessantes para conhecer? 

 

Ah, não demorava nem um tempinho e lá vinha o Omer com a argumentação:

 

E voce ja viajou para quais países?  

 

E a resposta do interlocutor:

 

- Ah... Pessoalmente eu nunca  fui a nenhum país, mas conheço pelos  filmes, documentários, revistas.


Ai, Omer pegava suas fotos, revistas dos seus pais que guardavam durante já a alguns anos e que traziam fotos da Turkia. Mostrava a todos os amigos que ali estvam. Eram fotos lindas, de um país com muita coisa boa para se fazer, se aprender e conhecer.

 

Numa dessas revistas, um dos outros garotos notaram que em algumas  fotos apareciam ursos acorrentados e que ficavam no centro das cidades para distração dos turistas. Omer traduzia pra todos, o que queria dizer as manchetes das revistas.

 

Era algo que nunca se imaginaria ver. Ursos acorrentados fazendo show nas ruas de Istanbul.

 

Georgia indignada com aquilo, perguntou ao Omer. Isso ainda acontece lá, Omer?

 

Omer disse que ele vira algumas vezes ursos dançando nas ruas de Istanbul. Nunca parara para pensar que era algo ruim, uma agressão ao animal, pois isso sempre existiu.

 

Os jovens se distrairam com outra coisa, menos Georgia e Isabella. Aquela imagem o urso acorrentado, que ela vira na revista, elas não podiam esquecer. Justo Georgia e Isabella que queriam ser veterinárias!!!

 

Bem, alegria de todo lado!!! Os que fariam parte da excursão mal podiam esperar a hora de poder ver um urso daquele tamanho, na rua, dançando. Devia ser muito interessante.

 

Assim o tempo foi passando. Dona Munira já havia contactado seus familiares em Istanbul que aguardavam a chegada dos cinco entes queridos, Sr. Bark, Munira, Omer, Halide e Yasar, alem dos 10 jovens, amigos de seus filhos e seus alunos do Curso de Ingles.

 

Os pais dos 10 adolescentes organizaram a documentação junto ao Juizado de Menores, fizeram os passaportes para seus filhos para que no dia da viagem, tudo estivesse bem acertado, sem problemas. Cada qual preparou sua mochila com camisetas e calças jeans, e mais alguma coisa. Todos preferiam mochila ao invés de malas, pela praticidade em serem transportadas nas costas. Era verão na Turkia, e precisariam somente de roupas leves, camisetas, calças jeans e tenis. Isso seria suficiente para os 20 dias que estariam viajando.

  

Francisco, David, Talles, Kalel, Joshua, Nicolas, Isabella, Luara, Maria Clara e Georgia faziam muitos planos e era interessante vê-los praticando o ingles, para ficarem cada dia melhor e poderem usar o ingles no metro, no onibus, supermercado da Turkia, ou nos aeroportos.

 

Alguns seria a primeira vez que sairiam do Brasil. Talles já havia viajado uma vez para o Reino Unido quando tinha 10 anos foi um presente de aniversário que sua avó lhe deu. E agora era a segunda vez que ia viajar de avião. E com os amigos, o que fazia a viagem ficar muito interessante.

 

Maria Clara e Joshua haviam ido ate o Paraguay de carro com os pais.

 

Era o mais longe que tinham ido fora do Brasil.

 

A expecttiva era geral.

 

Precisavam ver os 13 amigos no aeroporto esperando a hora do embarque. Quanta novidade. Devido a estarem em um grupo, foram chamados a embarcar primeiro. Conseguiram ótimos assentos, próximos um dos outros.

 

A viagem foi super agradável, tudo era novidade. O banheiro pequenino, muito bem desenhado por alguém que entende mesmo de aproveitamento de espaço.  Joshua que sempre tinha uma saída pra tudo, chegou a comentar que na casa dele tinham dois banheiros grandes, e seria melhor se tivessem 5 pequenos banheiros como os de avião. Um pra cada membro da família. Todos riram do comentário do Joshua.

 

A tripulação, isto é, os atendentes do avião durante a viagem davam bastante atenção aos jovens. O jantar fora servido, e como sempre Kalel que gosta de comer bem, ficou preocupado com a porção do jantar, mas depois se sentiu tão bem e lembrou-se de que deveria comer menos quando de retorno a sua casa. Tudo era motivo de reflexão. Haveriam de tirar muito bom proveito da viagem.

 

Após o jantar, abriram os pacotinhos que cada passageiro recebera contendo escova e pasta de dentes, meia e tapa olhos pra dormir, e tambem fones de ouvidos. Colocaram os fones e se prepararam para assistir os filmes, ou jogar video-games individuais em cada poltrona.

 

Mas o sono foi chegando e em breve todos estavam adormecidos.


Com certeza sonhavam com os passeios que fariam.

 

Georgia que havia ficado impressionada com as fotos dos ursos presos em correntes, que ela viu na Revista dos pais de Halide, não parava de pensar nos pobres ursos, as dores que deveriam sentir.

 

A viagem transcorreu tranquila, sem turbulencias.

 

Parecia que nem dormiram e acordaram com a chamada pelo autofalante que estaria sendo servido o café da manhã, pois em breve pousariam em Istanbul.

 

Chegaram ao país esperado. No aeroporto os pais de dona Munira os aguardava. Que alegria para os jovens poderem conversar com os novos amigos. O irmão de Munira fora de Van Toyota  que cabiam 10 pessoas, e os demais foram no carro de Nagla, a esposa do irmão de Munira, e as malas no carro dos pais de Munira.


Tudo arranjado, rumaram para casa. Passaram pelo Mar de Mármara, como eh conhecido o mar que banha Istanbul, em direção ao norte. Quantas construções diferentes. Que beleza a muralha milenar que circundava a cidade, resquícios do império romano. Agora eles viam a importancia de terem estudado ingles, pois assim podiam compreender as explicações históricas que eram transmitidas pelos novos amigos.

 

De repente Georgia deu um grito, parecia querer saltar do carro.

 

Todos olharam na direção que ela apontava.

 

A van parara no sinal vermelho, com isso todos tiveram tempo de ver uma cena muito triste. Um urso, dançando e muitos expectadores pagavam ao dono do urso, para que o animal fizesse demonstrações.

 

Que tristeza, pensava Georgia. E assim transcorreu o dia. Entardeceu, jantaram e cansados foram pras suas camas.

Descansaram para logo no dia seguinte fazerem seus passeios.

 

Georgia só pensava nos ursos que ela havia visto no dia anterior. Vários. Pensava consigo mesma – como seria possível as autoridades permitirem animais selvagens fora de seu habitat sofrendo abusos?

 

No café da manhã ela conversava com os pais de Munira sobre os ursos.

 

E assim foi adquirindo muitas informações de que as pessoas precisavam dos ursos para ganharem dinheiro para sobreviverem, e outros argumentos mais.

 

Será que aquilo era um procedimento legal na Turkia? Isso já acontecia amuitos anos.

 

Nda não convencia Georgia de que isso não era um probmea. Isabella pensava da mesma maneira que Georgia. As duas muitas vezes subiam em árvores e ficavam conversando horas sobre a Natureza.

 

Elas haviam decidido que fariam medicina veterinária e se especializariam em atendimento aos animais selvagens nos zoológicos.

 

Porisso as fotografias que elas haviam visto nas revistas antigas lhes chamara tanto a atenção.

 

Após o café, todos sairam par passear.

 

Foram de onibus para poderem apreciar melhor o trajeto e exercitr o ingles. Afinal, havian estudado 3 anos pra poder agora colocar em prática.

 

 Desceram na estação central de onibus. Era um pouco confuso o local. As mulheres cobriam-se quase completamente, mal dava para ver os olhos. Achavam esquisito o modo dos homens e mulheres se vestirem. 

 

Estavam a caminho da grande praça do centro da cidade, iriam visitar as jóias do palácio do sultão.

 

Na entrada do parque do palácio, Georgia e Isabella viram que um homem segurava um urso por uma corrente presa no seu focinho, e outra corrente nas suas patas e pescoço e o fazia ficar em pé, bater palmas, balançar a cabeça e dançar com as patas traseiras tirando-as do solo, ao sabor de uma música horrível.

 

Chegando um pouco mais perto, não se contendo, Georgia falou em ingles ao homem que aquilo era uma crueldade o que ele estava fazendo com o animal, que ursos devem viver soltos nos parques, protegidos por lei dos países, etc...

 

As pessoas que riam, aos poucos foram parando...parando... agora pareciam estar pensativas. 

 

De onde surgira aquela jovenzinha magrinha com tanta força moral pra falar em público para turistas? 

 

No fundo da consciencia de cada um dos presentes, sabiam que ela falava uma verdade.

 

Enquanto os turistas aplaudirem e derem dinheiro, isso continuaria a acontecer, mas chegaria o dia em que a ética moral falaria mais alto nas consciencias dos governantes e aquela cena  seria um passado, não mais existiria, sob pena de ir pra prisão quem a praticasse.

 

Os ursos seriam resgatados e quem  sabe ela iria tratar deles com amor, devolvendo a eles a dignidade de viver em liberdade.

 

Nisso, aquele urso de pelo marrom, sem trato, emagrecido, solta um uivo.

 

Com certeza estaria com fome, mas com o focinho preso, a boca amordaçada por uma tala de couro, não poderia se alimentar e o dono não poderia perder tempo em dar alimento ou água ou descanso para o urso, porque a ganancia em ganhar dinheiro não lhe permitia ter moral ética, isto é,  “perder tempo”.

 

Georgia não se contendo, falou ao dono do urso que o animal precisava descansar,  tomar água, ao que as pessoas que estavam em volta bateram palmas. Com isso, o dono tirou a mordaça do focinho do urso, e colocou perto dele um balde com água. O urso fraco, nem forças tinha pra beber. Em seguida passou a beber o mais que pode, como a querer mostrar que não saberia quando iria poder beber água novamente.

 

Incrível o que ali acontecia. A força do bem moral, sobre a audácia fragilizada de muitos.

 

O urso, após beber muita água, levantou a cabeça em direção a Georgia e parecia sorrir. Abriu a boca e deu pra observar seus dentes arrancados, seu sorriso era pobre, pois a crueldade do homem, a ganancia, e a falta de amor cometeu um crime, o de machucar, de dominar um gigante, que se soubesse a força que tem, destruiria o dono no mesmo momento. O focinho cortado, pelo ferro da corrente, deixava escorrer um sangue que mal coagulava, pois a cada balanço da cabeça do urso, a ferida abria. As patas queimadas, pois alguns sádicos pagam para ver os ursos dançarem sobre brasas, para satisfazerem seus prazeres hodiendos.

 

Com isso, Georgia mais do que nunca teve a certeza de que seria uma lutadora pela liberdade dos animais em cativeiros ignóbeis, seria uma batalhadora pelos direitos de nascer em liberdade, direito de proteção ao animal.

 

Planejavam Georgia e Isabella, que quando saissem da Faculdade, fariam um projeto de construir numa grande fazenda, um zoológico onde elas pudessem resgatar todos os ursos possíveis, das ruas de Istanbul e de onde fosse necessário, para dar a eles um verdadeiro santuário, onde pudessem viver na natureza que Deus deu a todos, na liberdade de viver.

 

Os dias seguintes foram muito bons para os 13 amigos. Istanbul é muito bonita, foram visitar vários locais e mesquitas, descobriram as finalidades dos minaretes e que a mesquita que tem mais minaretes é mais rica que outras, etc.

 

(Para quem não sabe o que é um minarete, é como se fossem torres redonda que saem de certas construções muçulmanas).

 

Certa noite, muito pensativa, Georgia estava assitindo a televisão, logo após o jantar, ainda com  a imagem da dor que o urso deveria estar sentindo... o programa em turco nao a distraia entao ela pediu ao pai de dona Munira pra ouvir um programa em ingles, e eles imediatamente colcoaram na CNN.  

 

- Minha nossa!!! Gritou Georgia.

 

- Corram, venham ver isso...

 

O reporter estava naquele exato momento noticiava que a Sociedade Mundial de Proteção aos Animais dirigido por Peter Henderson estava iniciando uma campanha mundial para banimento de sacrifícios animais e abuso de animais selvagens.

 

Eram mostradas cenas dos ursos nas ruas de Istanbul, justamente onde eles presenciaram o incidente com o urso marrom.

 

Será uma luta enorme acabar com o tradicional Bayram, festa do sacrificio de animais que ainda acontece na Turkia, dizia o reporter. Em seguida noticiaram que o governo da Turkia ajudaria nesta campanha de erradicar a crueldade com os animais naquele país. Mas infelizmente, na India e Balcaans isso ainda era largamente difundido dentro da cultura do povo. A sociedade Mundial de Proteção aos Animais ainda teriam dificuldades. Mas um dia atingiriam seus objetivos.

 

Isso já foi um motivo de alegria para Georgia e Isabella. Já saberiam o que fazer quando chegassem no Brasil. Falariam com seus pais para se filiarem a essa Campanha até elas atingirem a maioridade. Era o que pretendiam fazer, trabalhar pelos animais que sofrem crueldades em cativeiro.

 

Passado os dias, chegou a hora de retornar ao querido Brasil.

 

A viagem foi uma aula de história que muitos jamais se esquecerão, especialmente Isabella e Georgia.

 

Passados agora muito tempo, Georgia ainda vê diante dela, o sorriso sem dentes do grande urso marrom, agradecendo-a por ela ter levantado a bandeira da liberdade aos animais junto aos turistas.

 

Com certeza, muitos dos turistas que ali estiveram, tambem jamais se esquecerão daquela jovenzinha que tinha o poder da palavra e da pesuasão, e que deixara nas consciencias de muitos turistas do mundo todo que lá estavam o despertar para  o fim ‘as crueldades para com os animais.

 

O gesto no bem parece uma gota de água no oceano, mas já era alguma coisa a se pensar e agir, filosofava Georgia!

O oceano é formado de milhões de gotas de água!

 

Elsa Rossi

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Março 2006

A Casa do Pomar

               

Era uma vez, numa linda cidadezinha a beira mar.  Lá no alto da colina, um pouco afastada se avistava uma casa que ficava no meio de árvores altas, onde se ressaltava duas antigas torres.

 

Vista assim de longe, parecia uma igreja, ou dependendo do ângulo de onde era avistada, parecia um castelo.

 

As árvores que a circundavam eram tão altas e mal dava para se ver as enormes janelas que quando semi abertas, com certeza mostrariam os ricos e antigos vitrais multicolores.

 

As paredes de pedra estavam cobertas por musgo verdinho e heras viçosas. Hera é uma plantinha sempre muito verde e forte e que se agarra em paredes de todos os tipos, subindo em direção aos céus.

 

Assim a hera se desenvolvera muito bonita fixando-se às paredes de pedra  da velha casa. Algumas janelas da frente estavam sempre fechadas.

 

Diziam os moradores da região, que aquela tinha sido há cinquenta anos atrás, uma casa muito alegre onde haviam sido realizadas muitas festas e os visitantes iam e vinham nos seus belos jardins.

 

Mas acontecera uma tragédia há muitos anos  e desde então, o único morador da casa não mais abriu as portas aos visitantes.

 

Que tristeza ver as árvores sem trato. As plantas e flores se perdiam no matagal que tomava conta do que tinha sido no passado, um belo e viçoso  jardim.

 

No quintal dos fundos, haviam muitas macieiras, que insistiam em produzir seus belos frutos. Mesmo as macieiras pareciam envelhecidas e cansadas!

 

Ninguém aproveitava dos seus frutos.

 

Os felizes passarinhos, alheios a tudo, tinham ali um grande manancial de alimentos. Os caules das velhas árvores eram cobertos por musgos e insetos. As raposas iam saborear as maçãs que caíam no chão. Mesmo assim, muitas maçãs apodreciam e formavam adubo renovando o solo abençoado que nunca cessa de produzir.

 

Ninguém ousava se aproximar da Casa do Mato, como passou a ser conhecida por várias gerações. Diziam que lá morava um velho muito mau, que não queria a aproximação de ninguém.

  

Com o passar do tempo, a história verdadeira caiu no esquecimento e não mais as pessoas procuravam saber quem lá morava, ou o que fazia.

 

Assim se passaram muitos anos. 

 

Ao redor da casa, já a cidade avançava, com novas construções, ruas e praças.

 

Muitas crianças iam e vinham da escola, passando bem em frente ao grande portão envelhecido, o qual estava sempre fechado. Mas ninguem dava atençao à velha casa, nem mesmo as crianças se interessavam.

 

Aquele era um belo dia de sol.

 

Uma nova família se instalara no número 53 que fazia divisa com a Casa do Mato, cujo número era  55.

 

Era uma bela, feliz e saudável família formada por 5 pessoas.

 

Ah! Não podemos esquecer a sorridente cachorrinha Lily. Lily era considerada como um membro da família do sr. Jacques: a sra. Mary e os filhos Charles, Claudia e Mirelle. O sr. Jacques fôra transferido do seu trabalho na Bélgica, indo residir com a família justamente naquele bairro tão promissor, nos arredores da cidadezinha.

 

Bem, então, dias após se instalarem, a família decidiu dar um passeio a pé.

 

Assim, a sr. Jacques e sua família que nada sabiam dos antigos acontecimentos em sua vizinhança, saíam sempre para dar um passeio para conhecerem os arredores, onde ficava a escola, o centro do bairro e outros locais de interesse social da família.

 

A cachorrinha Lily tinha os pêlos brancos e pretos. Estava sempre de bom humor, e era a alegria da família. Distraía a todos, fazendo piruetas correndo à frente das crianças.

 

As três crianças, Charles, Mirelle e Claudia haviam recebido a pequenina Lily, quando ela ainda estava sendo amamentada. A mãezinha fôra atropelada. Nao resistindo aos ferimentos veio a morrer.

 

Lily fôra criada com todo zêlo e carinho. E em reconhecimento às crianças tão dedicadas, ela era obediente e muito higiênica. Tomava seu banho sem fugir, colaborando com a manutenção da limpeza de todos os ambientes. Isto deixava a sra. Mary muito feliz.

 

E olhem que dona Mary era muito exigente com a ordem dos objetos e a limpeza em casa.

 

Bem, então, dias após se instalarem, a família decidiu dar um passeio a pé. 

 

Mirelle e Claudia eram gêmeas. Eram filhas muito queridas e obedientes. Tinham 10 anos. Charles contava 12 anos e era muito esperto. Estava sempre de bom humor, muito prestativo e ajudava sempre as irmãzinhas. Nos passeios a pé, estava Charles sempre à frente, correndo saltitante junto a sua querida cachorrinha Lily.

 

No passeio, as três crianças se adiantaram muito, e foram olhar pela fresta do grande portão velho, carcomido pelas intempéries.

 

O portão estava cheio de plantas que nasciam em suas frestas. Viram que estava levemente entreaberto.  - Quem será que mora aqui?  Pensou Charles.

 

Em sintonia, Claudia e Mirelle tiveram o mesmo pensamento. Parece que Lily ouviu os pensamentos das crianças e fez um esforço para puxar Charles para dentro do jardim, como que convidando-o a seguí-la.

 

A curiosidade fez com que as crianças empurrassem mais o portão.  Este se abriu rapidamente, permitindo às crianças a entrarem naquele jardim.  

 

Abrindo-se o portão Lily, mais que rapidamente correu pra dentro e Charles seguiu atrás gritando...

“Lily!... Lily!... volte... venha aqui!... Lily... Lily...

 

”Ia ele chamando a sua cachorrinha sapeca, mas ela nem escutava, estava tão feliz por encontrar um belo quintal para correr solta.

 

Aquele jardim já fôra palco de muitas recepções, muitas festas, muitas luzes, muitas alegrias. Mas agora, já há muito tempo, não recebia as peripécias infantis dos pequenos que antigamente rolavam em seus gramados, ou faziam arranjos com as belas flores...

 

Oh! Que tristeza! Tudo abandonado.

 

Nada de flôres cultivadas, só plantas com espinhos. Tudo havia ficado no passado.

 

Tenras ervas daninhas e flores silvestres lutavam por sobreviver umas sobre as outras, para alcançarem a luz do sol que lhes dava energia vital. Algumas tinham espinhos como forma de defesa contra animais e insetos.

 

Mas eis que Lily correndo sôlta e feliz, subiu as escadas cheias de entulhos que terminava numa varanda. Eram pedaços de madeiras envelhecidas que cairam do teto, misturando-se às plantas que nasceram na umidade que se formara com o tempo e se alastravam pelas escadas. Lily foi até o final do corredor da varanda, até a porta dos fundos da Casa do Mato.  Charles, que a seguiu de perto, de repente desviou seu olhar para o pomar. ”Que pomar atrativo, que  belas árvores!” “Quantas maçãs”!

 

Ficou encantado quando viu as macieiras carregadinhas de maçãs, lindas e uma quantidade imensa de maçãs no chão.  Ele desceu a escada e correu até a macieira.

 

 Apanhou uma delas e voltou para chamar as irmãs, que viessem ver o pomar! 

 

Eles que sempre viveram na grande cidade, em um pequeno apartamento, não tinham noção de que pudesse  existir  uma Casa no meio do Mato cercada por árvores que produziam maçãs, as macierias.

 

E as maçãs nos galhos das velhas macierias encantaram os olhos de Charles,  eram bem diferentes das maçãs de cêra que enfeitavam a fruteira da mesa de jantar de sua casa. E tinham um doce perfume e eram lindas... muito lindas!

 

Charles esfregou uma delas em sua camisa e viu que o brilho da casca da maçã quase refletia sua imagem como em um espêlho. 

 

- Pensou Charles: - “Nossa! Que maravilha! E eu que pensei que isso só existia nas estorinhas que minha mãe contava quando eu era pequenino...”

-         Charles, correndo em direção aos pais, começou a chamar as irmãs: Claudiaaaaa! Mirelleeeee! Venham ver que lindas maçãs...!

 

Nisto nossa pequena sapeca Lily começa a latir sem parar, nervosa parada em frente à porta dos fundos da casa. 

 

Não se podia vê-la, mas se ouvia muito bem os seus latidos.

 

Por mais que Mirelle a chamasse, ela não obedecia. Charles a chamava também, e ela não atendia. Eles estranham o comportamento de Lily.

 

Com cuidado, desviando as madeiras podres conseguiram chegar até onde Lily se encontrava.

 

“Vou dar-lhe umas boas palmadas, pensava Charles!”

 

Ela nunca desobedecera antes, o que será que estava acontecendo com ela?

 

Mas de repente, eles pararam e escutaram uma voz rouca, que parecia vir de muito longe!

-         “Socooooooorro... Me ajuuuuuuuudem...

-         Socooooooorro... Me ajuuuuuuuudem...

-         Me ajuuuuuuuudem... Socooooooorro...”

 

Apuraram um pouco mais os ouvidos e perceberam que o chamado vinha de dentro da casa.

 

Mais que depressa, sem responder, Charles saiu correndo, foi até o portão e chamou os pais, dizendo-lhes que viessem rápido! Alguém, pedia socorro dentro daquela velha casa.

 

Sr. Jacques entrou rápidamente no jardim, foi até a porta dos fundos e também ouviu o apêlo de ajuda! Todos escutavam uma voz que sem parar gritava  já quase sem forças: - “Socorro!... Me ajudem!...”

 

Sr. Jacques colocou as mãos na maçanêta da porta e ela se abriu rápidamente.

 

Ao entrarem na cozinha... que tristeza! Encontraram um velhinho de cabelos e longas barbas brancas caído ao chão. Percebeu-se na hora que ele havia escorregado do banquinho de madeira, quando tentava apanhar um quadro de fotografias que estava colocado a anos, no alto da parede.

 

Sem maiores questionamentos, mas visando socorrer o sr. John (o velhinho de barbas e cabelos brancos). sr. Jacques não perdeu tempo. Imediatamente chamou a ambulância e o sr. John, foi levado ao Hospital da pequena cidade.

 

Todos abraçaram Lily. Cachorros tem a audição muito melhor que a do ser humano.

Lily pressentindo o que havia acontecido dentro da casa e latindo vigorosamente, conseguiu chamar a atenção de todos.

 

Em vez de palmadas, a pequena corajosa cachorrinha Lily recebeu muito elogios e carinhos pela sua destemida atuação.

 

Com isso, sr. John fôra atendido em tempo. Se não fôsse a atuação de Lily, ele poderia ter morrido ali, sózinho. E com certeza, ninguém teria dado falta dele, já que ele mesmo não queria a aproximação de ninguém.

 

Passaram-se duas semanas de lindos dias de sol, em plena primavera.

 

Certa manhã, quando as crianças iam saindo para escola, acompanhados pelo Sr. Charles, a sra. Mary se deparou com um pequeno envelope  amarelado, no chão, ao lado da porta da sala, o qual de imediato  chamou-lhe a atenção.  Sentiu um forte aroma de carvalho que exalava do envelope amarelado, antigo, dando mostras de haver sido guardando numa gaveta por muitos anos. Todos,  calados, permaneceram ao seu lado.

 

No canto esquerdo do envelope, acima do destinatário, havia o símbolo de um brasão muito rico em detalhes, cujas cores estavam esmaecidas pelos anos. Mary abre o envelope bem devagarzinho.  O papel estava tambem amarelado mas era tao bonito e da mesma qualidade do envelope.  Chamou a atenção de dona Mary, as letras que eram maravilhosamente desenhadas e com muito zêlo.  A emoção inundou-lhe a alma e ela sentiu um carinho especial naquela carta, que fora entregue muito cedo, e não era do correio normal. 

 

Todos em pé, parados junto a dona Mary, sem mencionarem uma só palavra, pressentiram quem era o remetente.

Meus queridos amigos:

 

Jacques, Mary, Charles,  Mirelle, Claudia e pequena Lily!

 

Gostaria de convidá-los para  virem a minha casa no sábado a tarde.

 

Quero demonstrar-lhes a minha gratidão por terem me socorrido.

 

Não fosse voces, eu poderia ter morrido!

         John

 

Dona Mary abriu o envelope, e leu alto, para todos ouvirem:

Que expectativa!

 

Parecia que o convite fôra dirigido a Lily, pois ela também estava tão excitada, corria de um lado a outro, latia mais do que o normal. Charles, Mirelle e Claudia, mal podiam esperar que chegasse o  sábado.

 

Eles queriam muito ver o sr. Jonh recuperado.

 

 Mas, mais interessados estavam em ver o quintal da Casa do Mato, explorar as belas árvores, colher os figos e as maçãs.

Era possível que lá morassem raposinhas. Então teriam oportunidade de ver uma raposinha de verdade e não apenas a do livro do Saint Exupèry.

 

Que maravilha!  Este seria um sábado diferente em suas vidas. 

Chegou o dia esperado! 

 

As crianças se levantaram pela manhã, arrumaram suas caminhas, depois foram tomar banho e se aprontaram para a refeição matinal. Como era sábado, nem, era preciso que se levantassem tão cedo, pois não tinham de ir à escola.

 

Mas, nem pensar. Era muito importante que estivessem acordados, e só faziam planos para a visita à Casa do Mato, logo mais, depois do almôço.

Os vizinhos da rua tomaram conhecimento do ocorrido.

 

Quase não acreditaram quando souberam que a família belga, recém chegada já havia recebido o convite para entrar naquela casa misteriosa.

 

Dezenas de anos e ninguém ousara colocar os pés naquele domínio particular.

 

Bem, os vizinhos ficaram felizes!

 

 Alguma coisa havia mudado. Parece que até os ares ao redor da Casa do Mato estavam diferentes. Sim, até perfumado o ar estava! A beleza do belo dia de sábado, com um sol brilhante colaborava com este acontecimento.

 

Eis que chegou a hora de sairem.

 

Jacques, Mary, Mirelle, Charles e Claudia, (sem esquecer a Lily) se puseram na rua e andaram  50 metros. Pararam em frente ao grande portão. Se entreolharam! Sem nada falarem um ao outro, todos se comunicaram perfeitamente. Deram-se as mãos num silencioso compromisso de fortalecimento no bem e transpuseram o grande portão. 

 

Iam contornando a casa, se dirigindo aos fundos, quando uma voz os chama:

 

-         Amigos, por aqui!

Eles se voltam e vêem o sr. John.

- Boa tarde amigos! Por aqui, por aqui... mostrando o outro lado da entrada, onde parecia que havia uma escadaria de mármore rosa.

 

Afastando com dificuldades os arbustos que escondiam os degraus, eles conseguem passar sob galhos e mais galhos e atingem o alto da escada.

 

Era uma varanda muito bela, de onde se avistava todo o imenso jardim. A grande porta de folhas duplas de madeira entalhada estava aberta, pela primeria vez em cinquenta anos.

 

Adentram ao recinto.

 

As crianças que são as mãos de Jesus na Terra, sendo mais descontraídas, abraçaram o sr. Jonh. Colhido de surprêsa, ele nada disse, ficou mudo. De seus belos olhos azuis, na face iluminada de alegria, rolaram duas lágrimas, que percorrendo as rugas de seu rosto, findam a caminhada na barba branquinha.

 

Disse o sr. John:

 

-                     Me perdoem a emoção.

Fazem cinquenta anos que recebi pela última vez, o  doce abraço de meus três filhos. Tinham as suas idades. Beijou-lhes a fronte e os abraçou, aos três ao mesmo.

O silêncio fôra quebrado pela agitação das crianças, descobrindo na grande sala, objetos que nunca viram antes. Haviam troféus de caça nas paredes e eles ficaram penalizados ao verem cabeças de cervos e outros animais empalhados. A sala parecia um Museu como eles haviam visitado em sua cidade.

 

Sra. Mary percebeu que a casa fora limpa às  pressas. Fôra tirado o pó das cadeiras e da mesa grande, onde estavam expostos doces de maçã, biscoitos e um bule com chá quentinho, esperando os visitantes.

 

Era a maneira de sr. John agradecer o auxílio que lhe prestaram esses novos vizinhos, melhor dizendo, amigos!

 

Quando sr. John bateu os olhos na pequena Lily, abaixou-se com dificuldade, apanhou-a no colo e a abraçou com muito carinho, alisando o seu pelo e dizendo a ela:

 

  - Obrigada pequena Lily!”  “Obrigada por ter ouvido o meu pedido de socorro. Não fosse por voce, por voces, se dirigindo a todos, o que teria sido de mim? Como eu estaria agora? Onde eu estaria agora? Poderia eu também ter morrido como aconteceu com os meus amores que já se foram a cinquenta anos.”

Ele ia continuar a falar, mas foi interrompido pelo pedido das crianças.

 

-  Sr. John, poderemos ir visitar as macieiras, brincar no seu pomar?

 

Será uma alegria ver voces brincando sob as árvores, meus pequenos, respondeu sr. John.

 

Os pais tambem concordaram.

As três crianças saem correndo e felizes, sempre seguidas pela prestimosa amiguinha Lily.

 

O sr. John, relata aos novos amigos o que lhe causara o acidente na cozinha.

 

De vez em quando ele apanhava o quadro onde mantinha as fotos da espôsa e dos 3 filhos e  trazia o quadro junto ao coração. Chorava por horas e horas a fio, incorformado  pela abrupta partida deles.

 

Sr. John não acreditava que o espírito é eterno, que não há morte. Não acreditava que a vida era composta de muitas existências e que em cada existência o espírito progredia.

 

Mas estava ele falando sobre as fotos do quadro e dizia:

 

-         São as fotos de minha espôsa e três filhos pequeninos, que morreram quando a charrete em que voltavam pra casa, caiu no rio, num dia de tempestade.

 

-         Vinham da escola que distanciava 4 milhas daqui. A paisagem era bem diferente. Não existiam casas próximas.

 

O cavalo se assustara e a charrete mergulhara no rio. Não havia ninguém para socorrê-los. O cocheiro e a governanta...todos pereceram.

 

Desde então, disse o sr. John; não mais tive alegrias, decidi viver sózinho, enclausurado e solitário nesta casa.

Depois, lentamente todos foram me deixando e a idade foi chegando e aqui permaneci somente esperando a hora de minha morte.

 

Neste momento, sr. Jacques, que era um homem espiritualizado e muito religioso, cultivava a caridade no seu coração, buscando inspiração espiritual,  aproveitou a deixa e em poucas palavras, explicou ao sr. John das maravilhas da continuidade da vida, de que ninguém morre.

 

Falou ao sr. John sobre a imensa obra dos Espíritos, codificada por Allan Kardec.

 

Sr. John se interessou e então combinaram iniciar a leitura para que ele, o Sr. John pudesse obter esclarecimentos sobre a continuidade da vida. Eram tantas perguntas que ele fazia a Jacques. Este decidiu ir até sua casa e trouxe um presente maravilhoso ao sr. John, “O Livro dos Espíritos.”

 

Entregando o livro, disse-lhe: - “Querido amigo, tudo em nossa vida tem uma razão de ser. O acaso não existe. Não há vítimas ou castigo. Não há céu ou inferno  como espaços físicos. Neste livro encontrará todas as respostas aos seus questionamentos.

 

Continuando, sr. Jacques falou: - Assim, caro John, quando desejar, poderemos estudar juntos e então elevaremos preces de agradecimentos à Deus, ao Mestre Jesus por nos colocar uns nos caminhos dos outros. Juntos em oração, caminharemos na mesma direção, que é a evolução espiritual de cada um.”

 

O sr. John derramava lágrimas de gratidão. Anos e anos e nunca houvera recebido visitantes tão caridosos. Nunca antes havia visto um livro como êsse. Aquelas eram pessoas simples que vinham lhe trazer o lenitivo aos seus sofrimentos de muitos anos.

 

Pensava ele em voz alta:

 

-          Com certeza o acaso não existe mesmo. E eu sou prova viva disso. Estou aqui, saudável novamente graças a voces, amigos do meu coração.

 

Em dado momento, entram as crianças felizes, com a Lily sempre sorridente.

 

A pequena cachorrinha dá um salto e se coloca no colo de sr. John.

As crianças fazem o mesmo!

E todos sorriem felizes. Era uma feliz família reunida.

Do plano espiritual, quatro espíritos iluminados sorriam também.

 

Eram a esposa e os filhos do sr. John que sempre estiveram ao lado dele, ajudando-o do Plano Espiritual. 

 

Estavam sim, felizes, pois a família do Sr. Jacques os ouvira por intuição.

 

Com todos esses acontecimentos, voltou  a alegria no coração do sr. John.

A Casa do Mato não mais assim seria chamada, mas sim a Casa do Pomar.

 

Daquele dia em diante, sr. John passou a convidar a todos os vizinhos e todos os que desejassem colher maçãs, figos e que viessem fazer pic-nic no seu jardim, no seu quintal.

 

Os vizinhos adoraram essa mudança.

E cada um que lá ia colher maçãs, ajudava a cortar a grama, os velhos galhos das árvores, plantavam hortaliças, flores, frutas e todos colhiam. A comunidade, a vila toda ficou muito feliz.

 

Sr. John passou a ser querido por todas as crianças e adultos.

Ele não vencia atender aos convites de seus vizinhos para irem tomar chá com eles.

***

Sempre devemos ter em mente que tudo o que nos acontecesse, tem uma razão de ser.

 

Devemos ter sempre o coração agradecido a Deus, porque algum bom aprendizado  tiraremos de todas as situações fáceis e difíceis de nossas existências.

 

Fim

 

Aguardando registro no Ministério da Cultura sob nº.   ®

Livro 00        Folha 00

 

Fundação Biblioteca Nacional  -  Rio de Janeiro  -  Brasil

 

Direitos autorais – © Spiritist Group of Brighton www.spirity.com/uk

 

® Autora do texto e desenhos ClipArt – Elsa Rossi

 

elsarossi@yahoo.co.uk

 

www.elsarossi.com

 

2004©

 

Agradecimentos

  

Aos Benfeitores Espirituais, que são nossos Anjos Guardiães que nos inspiram, aos meus netinhos que são luzes da minha alma, aos amigos que me incentivam, e a Marie Vaudrand, amiga querida, que inspirou os nomes dos personagens deste conto, fazendo a revisão do mesmo e traduzindo-o ao frances.

Kiu Kiu

 

                           Kiu...Kiu

           o filhote de passarinho

                                           Elsa Rossi

 

 

Era um lindo entardecer naquele dia primaveril do ano de 1940.

 

O sol se escondia atrás do frondoso abacateiro do quintal da casa do menino Valdo e de dona Ana, sua mãe.

 

Era uma família humilde, mas muito rica em amor cristão.

 

Valdo terminara suas lições da escola e estava varrendo as fôlhas sêcas do quintal de sua casa.

 

Essa era a sua colaboração diária pra ajudar a sua mãezinha dona Ana. 

 

De longe ele escutava sua mãezinha chamá-lo.

 

-         Valdo, ó Valdo”!

 

-         Vem cá, meu filho!

 

-         Valdo, voce me faz sempre muito feliz!

 

- Ah! Se todos os meninos fossem obedientes e pacíficos como voce é, o mundo não teria guerras, nunca mesmo!

 

E sorrindo feliz para seu amado filho Valdo, continuava...

 

-         Como voce varreu tão bem o quintal, juntou todas as folhas sêcas do abacateiro, eu tenho uma surprêsa para voce. 

 

E virando-se, apanhou uma pequenina caixa. Mal dava para se ver o que continha...somente se ouvia...kiu...kiu...kiu...

 

Valdo estava muito curioso. 

 

Eis que sua mãe coloca-lhe nas mãos a caixinha de papelão contendo no seu interior um filhote de tico-tico, que havia caído do ninho que fôra construido no canto esquerdo do telhado.

 

Caíra justamente sobre a maciez das belas folhas e flores vermelhas e azuladas do vaso de gerânios, que ficava sob a janela da cozinha, ao abrigo da chuva e do vento.

 

    Como a passarinha-mãezinha não aparecera durante todo o dia, o filhote com certeza iria morrer de fome, não fosse a bondade e a atenção de dona Ana.

 

Tanto se bateu no ninho, o pobre filhotinho, que acabou caindo.  Havia uma grande possibilidade de que o gato Jubalu tivesse apanhado a avezinha-mãe e então o filhotinho estaria órfão.

 

Com certeza tinha acontecido isso.

Dona Ana disse a Valdo:

 

-         Voce gostaria de  alimentar a frágil avezinha até que ela possa cuidar de si mesma? 

Valdo imediatamente respondeu:

 

-         Sim mãezinha”.

Cuidarei com muito carinho antes e depois que eu chegar da escola.

 

E tambem não deixarei de fazer minhas obrigações para ajudá-la, mãezinha!

 

- Vejo-a sempre tão cansada, voce não para de trabalhar nem um instante do dia.

 

Dona Ana com carinho, abraçou o filho, beijando-lhe o alto da cabeça e...sem que Valdo percebesse, uma lágrima percorreu seu rosto ainda jovial. 

 

Lembrou-se do dia feliz da chegada de seu filhinho Valdo em suas vidas, dela e de seu esposo.

 

Quantos planos fizeram para o desenvolvimento do pequenino.

 

E Valdo lhes trouxera muita luz no lar. Uma estrela de luz nas noites de suas vidas.

 

Tinham sido sim, momentos de muita alegria os quais ficaram gravados na memória de dona Ana.

 

Mas junto da alegria, as saudades rapidamente se manifestavam. Já haviam se passado 10 anos desde que o esposo deixara o corpo físico. 

 

Para não deixar Valdo perceber que entristecera, coloca alegria na voz, dá-lhe umas palmadinhas nos ombros e diz: 

 

-                                 - Vai cuidar do seu filhote de tico-tico, entregando a Valdo um pires com o alimento do passarinho. Eu vou terminar de lavar essas roupas e depois vou assar os pães.

 

-                                  - Graças a Deus, temos uma encomenda grande de pão caseiro para essa semana, meu filho.

- Hum! Hum!    

 

Fez o Valdo, levantando a pontinha do nariz pra cima, cheirando o ar!   Ele sabia muito bem que o pão que sua mãe fazia em casa, com suas mãos tão pequeninas, tinha muitos ingredientes bons, mas o mais importante, é que ela sempre adicionava muito amor ao que fazia.

 

 - Hum! Hum! 

O pão era uma delícia.

 

E uma vez por semana havia pão fresquinho e cheiroso, que ele Valdo, saboreava com muito gosto. 

Dona Ana vendia alguns, que eram as encomendas semanais. Com esse dinheiro ela mantinha atualizado o pagamento do aluguel da casa e ainda ajudava nas outras despesas diárias.

 

Saltitante e feliz, Valdo vai para o quintal. Coloca sobre o banco de tábuas de peroba, a caixinha com o filhote que ele nominou de Kiu-Kiu...porque era assim que o passarinho fazia ... Kiu...kiu...kiu.

 

Começou a alimentá-lo com o mingau feito de farinha de trigo misturado com água morna, que sua mãe havia preparado. 

Kiu...kiu...kiu...daqui  ...kiu...kiu...kiu dali, parecia que o filhote de tico-tico queria agradecer a Valdo o extremado carinho com que o estava cuidando.

 

Naquela tarde, ele terminou de varrer todo o quintal, sentou-se no banco de tábua de perobas, sob o abacateiro, colocou a caixinha com o Kiu-Kiu no colo e começou a conversar com Kiu-Kiu...que nem a gente faz de vez em quando com nosso cachorrinho ou gatinho, ou mesmo com as nossas plantinhas.

 

-                     Puxa!...Kiu-Kiu...que peninha voce ficar sem a sua mãezinha... Eu tenho a minha mãezinha, mas fiquei sem o meu paizinho...

 

-                     Mamãe disse que ele está muito bem onde ele está e que um dia nós vamos nos encontrar novamente. 

 

-       Eu mal conheci o meu papai, tenho saudades dele. Às vezes ele vem no seu sonho e nós rimos bastante, ele me conta histórias lindas de onde ele está. E eu acho que lá é muito bonito e tem passarinhos tambem. 

 

Valdo, assim absorto, conversando com o seu novo amiguinho, sentiu a presença de uma companhia muito agradável, que lhe causou uma sensação de bem estar.  Ele se voltou e ao seu lado estava um  menino sorridente, um indiozinho de seus 8 anos.

 

Sem se amedrontar, perguntou Valdo a ele:

 

-“      Quem é voce? Como voce entrou no quintal? Voce deseja alguma coisa? Voce falou com minha mãe?

 

O sorridente indiozinho disse a Valdo. 

- Calma, meu querido amiguinho. Vou responder a todas as suas perguntas.

 

-                     “Eu conheço seu pai e foi ele quem me disse que eu poderia vir conversar e brincar com voce”.

 

Os olhos de Valdo brilharam tão intensamente ao tempo em que ele ia dizendo ao recém-chegado:

 

- Como voce se chama, de onde voce conhece meu pai, como é isso, me explica devagar, por favor!

 

O indiozinho com muita calma e uma alegria no coracão, que se podia sentir, disse a Valdo:

-                     Me chamo Jaguaraçu, que quer dizer: "Onça Grande".  Sou um Espírito. Tenho a permissão de vir visitá-lo após voce terminar suas obrigações diárias para com a escola e para com dona Ana.

 

Prosseguindo com sua voz muito serena e com grande simpatia:

 

-               Venho acompanhando voce desde antes de voce nascer. Como voces estudam a filosofia espírita, pode entender o que estou falando.

 

-         Sou seu Anjo Guardião!

 

-         Nossa!... disse Valdo! 

-   Um Anjo-Guardião criança que nem eu!!!

 

-               E ainda é um espírito que fala, que pode brincar, que já me conhece!  Eu pensei que Anjo Guardião fosse bem alto, que usasse roupas azuis compridas, tivesse uma luz brilhante em volta  cabelos dourados...e voce não tem nada disso e é um índio...e...

 

Neste instante Jaguaraçu interrompeu Valdo que emocionado, não mais parava de falar e disse...

 

- ...e que tivesse asas? Ah! Ah! Ah!, riu o indiozinho!

Valdo respondeu: 

-               Eu sei que não existe anjos com asas. Minha mãe já me explicou que os espíritos somos nós mesmos.

 

-                     Espíritos bons, são homens e mulheres que fizeram todo o bem que podiam aqui na Terra e quando retornam ao plano Espiritual adquirem o progresso e sempre se preocupam em ajudar  a Humanidade.

 

-         Isso mesmo, disse Jaguaraçu!

 

-         Vejo que as lições das aulas de Moral Cristã estão guardadas na sua mente e voce está adquirindo muito progresso espiritual com isso.   Quando aprendemos os ensinos de Jesus e os colocamos em prática, estamos todos progredindo.

E assim ficaram conversando um tempão.

 

Quando dona Ana chamou Valdo para o lanche da tarde, pois logo mais a noite teriam o Evangelho no Lar,  Jaguaraçu se despediu e disse que à noitinha iria participar do Evangelho, orando com eles.

 

Valdo estava tão feliz pelo acontecimento.

 

Como ele sempre tinha o hábito de conversar com sua mãezinha Ana, relatou a ela o ocorrido no quintal sob o frondoso abacateiro. 

 

Dona Ana, deu um sorriso amoroso e agradeceu a Deus aquela bênção.

 

Explicou a Valdo que ele demonstrava  o início da mediunidade e que isso era muito normal em muitas crianças.

 

Explicou ainda que, quando os pais tem o conhecimento espírita se torna mais fácil para a criança e os pais entenderem o que se passa e há um comportamento calmo, atencioso para com a criança.

 

Já o lar sem essa base, tende a levar para o lado do distúrbio, ou das criancices, sem muita atenção.

Disse dona Ana:

 

-                     Valdo, meu filho, quase todas as crianças tem um “amiguinho invisível”. O que acontece é que com algumas crianças este acontecimento é muito bem registrado e com outras é menos.  

 

-         É mais conhecido por “amigo invisível”, melhor do que dizer o “amiguinho espírito” ou “amiguinho fantasma”, porque as pessoas ainda não estão muito interessadas em conhecer realmente esse acontecimento.  Alguns pais preferem ignorar do que irem pesquisar para conhecer melhor o assunto.

 

Foi uma conversa agradável entre Valdo e dona Ana, como sempre acontecia.

 

Bem, nos dias subsequentes, lá estavam os dois amiguinhos conversando, sorrindo, brincando.

 

Jaguaruaçu vinha brincar com Valdo no quintal de sua casa todos os dias. O índiozinho aparentava ter uns 8 anos. Os dois amiguinhos brincavam sem perceber as horas passarem.

 

Subiam em árvores, corriam pelo quintal, colhiam gravetos para ajudar dona Ana a manter aceso o fogão a lenha, especialmente nos dias que ela assava os pães. 

 

Dona Ana não via Jaguaraçu, mas observava o quanto o filho estava feliz com o amiguinho.

 

Estavam sempre inventando novas e saudáveis brincadeiras.

 

Ora ajeitavam o jardim, varriam o gramado, ora molhavam as plantinhas da horta, os pequenos repolhinhos que brotavam na terra macia, nos canteiros preparados pelas mãos abençoadas de dona Ana..

...ou colhendo os tomates vermelhos e brilhantes para o jantar.

 

Outras vezes colhiam galhos e florzinhas para fazer um ramalhete perfumado para dona Ana.

 

No natal, colhiam musgos e folhagens para enfeitar os presépios.

Como Valdo era habilidoso, ele mesmo confeccionava as figuras natalinas em barro e depois pintava.

 

Eram lindos os presépios que Valdo criava. E como eram admiradas as figurinhas de barro que ele pintava.

 

Valdo quase não vencia as encomendas que as freguesas de sua mãe faziam a ele.

 

Eram figurinhas de José, Maria, dos animaizinhos para compor o Presépio.

 

Com isso eles aumentavam a renda e dona Ana ousava fazer uma extravagância comprando panetone para o dia de Natal.

 

Valdo não deixava um único dia de ir ter com seu amigo Jaguaraçu sob o abacateiro.

 

E assim passaram-se os anos.

 

Valdo cresceu neste ambiente simples, humilde, fraterno e iluminado do seu lar, mantendo a intimidade total com  a Doutrina Espírita, com a Mediunidade.

 

Um dia, quando Valdo terminou as tarefas da escola e terminou de fazer as obrigações de casa, ao chegar no banco de perobas sob o abacateiro, o seu amiguinho Jaguaraçu já lá estava esperando por ele.

 

Jaguaraçu estava um pouco diferente, mais sério.

 

Disse a Valdo:

-         De hoje em diante não virei mais nesta aparência, meu querido amigo Valdo.

 

-         Temos tarefas a continuar e não estaremos mais subindo em árvores ou colhendo galhos, correndo pelo quintal.

-         Vamos trabalhar juntos, Valdo.

 

-   Eu inspirarei voce na escrita e voce as acolherá  pelos pensamentos.  Faremos esse exercício por um bom tempo e depois lhe direi o que fazer quando a hora for chegada.

 

Passara-se um bom tempo.

 

No seu comportamento sadio, caridoso, e sempre familiarizado com todos os Espíritos que lhe vinham trazer comunicações, contos, poemas, Valdo atendia muito bem a  inspiração espiritual.

Ele  escreveu o seu primeiro livro de poemas, todinho ditado por Benfeitores de Luz.

 

E assim continuou nosso querido Valdo.

 

O pequeno Jaguaraçu iria ter guarida para sempre na memória de Valdo, pois fôra ele o instrumento dos exercícios da mediunidade ainda quando Valdo era uma criança, preparando-o para a Messe de Amor que teria por realizar no seu futuro.

 

Sua mãe Ana foi sua amiga e conselheira durante todo o tempo em que estiveram juntos.

Passaram-se os anos!

 

 Em uma bela tarde, quando o sol punha seus últimos raios por detrás do imenso abacateiro, dona Ana cansada das tarefas no plano físico, foi chamada pelos Benfeitores ao merecido descanso no plano espiritual.

 

O tempo correu célere.

E ao final de um belo dia de verão, quando o sol depositava seus últimos raios por detrás de um imenso e envelhecido abacateiro que ficava no pátio da escola, onde um dia tinha sido o quintal de sua casa, lá estava nosso querido Valdo, contando uma bela história para as crianças pobres do bairro.

Lecionava nosso Valdo, as mais belas lições de fraternidade e amor!

 

Nesse dia, ele finalizou uma das historinhas dizendo:

 

-         ...e então...Dona Ana, com certeza, é anjo de luz em forma de uma  indiazinha, ajudando a muitos meninos e meninas que, como eu quando criança, tiveram a felicidade de ter um lar cristão com pais esclarecidos dos valores da Doutrina Espírita. 

 

-   Essa Doutrina de  Amor, são os ensinos de Jesus, que foram recitados com sabedoria pelos Espíritos Benfeitores a um professor lá na França, o senhor Allan Kardec.

 

-     Um dia lhes contarei toda a história do menino Rivail ao homem Kardec.

 

Pois é, a Doutrina Espírita, meus queridos alunos, é a maior base de luz para todos os corações esclarecidos caridosos e racionais e que querem, um dia, chegar a Deus pelo caminho do amor e da caridade!

 

FIM

 

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Agradecimentos

 

 

Aos Benfeitores Espirituais, que são nossos Anjos Guardiães que nos inspiram, aos meus netinhos Talles, Kalele, Joshua, Isabella, Georgia e Nicolas, que são luzes da minha alma, aos amigos que me incentivam sempre a escrever e colocar a disposição de todos os pais que desejam apoio na educação moral de seus filhos.

Girimum e as crianças.

Girimum e as crianças!

Elsa Rossi

 

Aquele era um lindo entardecer de outono!

 

- “...O outono é lindo em qualquer hemisfério, seja no Norte ou no Sul do nosso abençoado planeta Terra”, pensava Girimum, sentado no banco da praça do pequeno villarejo, adiantado que estava, no encontro do estudo de Moral Cristã que fazia, com a criançada do bairro já a muitos anos.

 

Alguns já se foram para a Universidade, mas tiveram as primeiras aulas de Moral Cristã sentados ao redor do Girimum, no mesmo banco de madeira da praça, que já fôra pintado com tinta a óleo dezenas de vezes, para poder ter maior durabilidade sob as intempéries, isto é, sob a chuva e o sol.

 

Girimum estava lembrando que essa abençoada tarefa começou quase do nada....numa bela tarde de outono, no dia de seu aniversário a muitos e muitos anos atrás.

 

E desde então ele ia todas as tardes de sábado, lá na praça, no mesmo lugar. Sentava no banco, entre muitas flôres, das quais os ibiscos vermelhos, roseados, azulados  se sobressaiam.  Estes estavam sempre floridos e exalavam um perfume muito agradável.  Raros os transeuntes que não faziam um ou outro comentário a respeito do perfume do ibisco, quando por ali passavam.

 

Diziam uns...

 

-                     Boa tarde Girimum...hoje o perfume está bem forte, uma maravilha!

Diziam outros...

-   Boa tarde Sr. Girimum... que beleza esse Ibisco...Já tão velho e continua melhorando cada vez mais o perfume.

 

E assim, lá ficava pacienciosamente o nosso querido Girimum, esperando as crianças.

 

 Criança que aparecesse por lá, ficava encantado com as histórias de moral cristã que ele calmamente contava enriquecendo com cores, detalhes e pormenores, tudo nos seus mínimos detalhes. 

 

Falava das maravilhas do Mestre Jesus, o amigo querido de todas as horas, de todas as estações do ano, de todas as existências, de toda a vida.

 

Certamente naquele outono florido e colorido, Jesus tambem lá estaria nas historinhas do Girimum, o amigo incomum.

 

As crianças ficavam maravilhadas com os ensinos deste amigo Girimum, que já por muitos e muitos anos acompanhava o crescimento da petizada do bairro. 

 

Era o Girimum muito estimado por toda a vizinhança.

 

Pais e professores depositavam nele a confiança de um avô, contando histórias para os netinhos queridos.

 

A diretora da Escola vinha com ele trocar idéias sobre educação;

 

O padre da pequena Igreja,  vinha se aconselhar com Girimum quando os problemas surgiam;

 

 Até o prefeito vinha trocar idéias com Girimum a respeito das questões políticas;

 

 Para todos, sempre o querido Girimum tinha a atenção e meditava na conversa.

 

Quando dava o seu conselho, a sua sugestão, o seu parecer, era ouvido pelos solicitantes.

 

Agradeciam a ele sempre, por toda a juda que prestava à pequena cidadezinha canavieira.

 

Por ele já haviam passados muitas crianças, hoje cidadãos. Alguns viviam em outras terras distantes, mas nunca deixavam de visitar aquele que lhes dera os primeiros ensinamentos cristãos.

 

Eram muitos netos espalhados pelo mundo. Os netos cresciam, partiam  e muitos outros apareciam.

 

Lá estava Girimum meditando nos seus 80 anos de vida!

 

O vento soprava sonoro, fazendo côro com o roçar das folhas das árvores.

 

De repente se ouve uma voz que vem se aproximando...

 

…Girimum, Ó Girimum... E lá vem Talles, correndo.

 

Nem precisava correr, Girimum não ia embora!

 

 

Aproxima-se o pequeno Talles, feliz, com a expressão de alegria maior que a própria face... era só sorrisos....

 

Eis que outros vem se aproximando na costumeira hora aprazada. Eram 3 horas da tarde de sábado.

 

Junto de Girimum, Talles dizia para a Sarah, que o acompanhava:

-   Vamos Sarah...leia a poesia que seu avô escreveu em homenagem ao aniversário do Girimum...

 

Sarah estava envergonhada, mas encorajada por Girimum acabou lendo o pequeno poema que o avô que era cego havia ditado a ela no dia anterior.

 

 Sarah escreveu numa pequena folha de caderno com linhas. Desenhou umas florezinhas com lápis de cor, dobrou bem bonitinho e prometeu ao avô que recitaria o poema para Gerimum.

 

Era o presente do avô ao amigo querido que tanto lhe ajudara nos momentos difíceis quando perdera a visão. Nunca havia visto o rostinho da neta Sarah, nem dos netinhos maiores.

 

Talles estava irriquieto.  Era muito apressado e estava sempre se adiantando em tudo. Fazia uma coisa, já pensando em outra mais à frente! Não se aguentava mais e queria que Girimum soubesse rapidinho do que se tratava.

 

-   Vamos Sarah leia...leia!

 

Girimum, depois que voce ouvir Sarah ler voce pode nos contar a história do nascimento de Jesus que voce prometeu repetir?  Mas primeiro escute que lindo o poema que o avô de Sarah criou para voce. Depois nós vamos....

 

Foi interrompido por Girimum...

-   Talles, uma coisa de cada vez, meu pequeno! Vamos passo a passo com as idéias.

 

-   Primeiro vamos ouvir Sarah!

 

-   Leia pequena Sarah, disse Girimum com sua voz calma e encorajadora!

 

Sarah assim começou:

 

Numa bela tarde de outono,

quando o sol se punha no horizonte,

entre nuvens avermelhadas,

lá estava nosso querido Girimum

no meio da criançada.

 

Pessoa simples e culta,

com todo o estudo e inteligência

não perdia oportunidade,

de ensinar a petizada,

que amor e paz é uma ciência,

que não se aprende na Universidade!

 

Porisso, Mestre Jesus!

Proteja o nosso Girimum amigo,

Sabemos Mestre querido,

Que eles sempre está contigo,

Ensinando a todos, a sua lição,

De amor, de paz de união!

 

Atendendo ao pedido de todos, Sarah repetiu o poema.

 

Lágrimas brotaram nos olhos de Girimum. 

 

Lembrou o amigo querido que com ele fizera um pacto de espalhar o bem entre as crianças, para que o mundo viesse a ter a paz em todos os corações.  Sabia Girimum que eram gôtas no oceano, mas era a contribuição para a paz no mundo, nesta encarnação.

 

Ele, Girimum ainda estava ali, junto às suas crianças, numa bela tarde de outono, recebendo o melhor presente que podia esperar...os abraços sinceros dos seus pupilos e o poema que o amigo querido criara em sua homenagem, ditando para netinha escrever com suas pequeninas mãos.

 

Mais crianças se aproximaram.  Alegria geral, sorrisos, parabens, todos querendo abraçá-lo ao mesmo tempo. 

 

E Girimum a todos abraçava.

 

     Assim era esse amigo querido. Uma pessoa que onde estivesse, a alegria estava presente.

 

Em seguida, todos se aquietaram e ouviram a história que Sarah mais gostava. De Jesus criança, indo ensinar aos Doutores do Templo. 

 

Dizia a pequena admirada: 

 

Como Jesus é inteligente!!!

 

Imagine ensinar aos Doutores...e fazia um gesto com os lábios como se estivesse falando a palavra mais importante do dia.  

 

-   Mamãe disse que é muito importante ser doutor, dizia Sarah nos seus 6 aninhos. 

 

-                     Então, imagine ensinar aos Doutores do Templo.

Porisso a palavra doutor a impressionava muito. Quando eu crescer, eu vou ser doutor... afirmou séria!

 

Essa Sarah...pensavam as crianças maiores...mas só pensavam porque se falassem alguma coisa...ela tinha resposta na ponta da língua. 

 

Girimum estava sempre enfatizando o amor, a tolerância, o perdão e a paz entre as crianças. 

 

Sem essas virtudes que começam desde a infância, dentro de casa, não se poderia atingir o bem geral na Terra, semear a paz geral entre as nações.

 

E todas as crianças que Girimum contava as histórias de Jesus, se sentiam compromissadas com o Bem!

 

Era isso que Girimum pretendia mesmo!

 

 Que cada criança assimilasse o bem, confiasse na caridade, exercitasse a tolerância desde pequenos, para serem bons cristãos, bons cidadãos do mundo, no futuro.

 

Quando as crianças faziam perguntas como:

 

“Girimum...porque existem tantas religiões na Terra? Girimum, porque tem pessoas que tem outro Deus? Porque tem pessoas que não conhecem Jesus? Girimum isso..., aquilo... , etc...” 

 

Ele mentalmente anotava tudo e na hora certa, explicava e respondia cada pergunta, dando sempre um exemplo em Jesus.

 

Terminada a bela explanação da tarde, respondidas todas as perguntas era hora de se retirarem para seus lares.

 

Mas, o nosso pequeno, Talles que já havia antecipadamente feito todos os planos com as demais crianças, neste momento convida o bondoso Girimum para ir até sua casa. 

 

Girimum aceita e lá vai ele de mãos dadas com Talles e Sarah. As crianças o acompanham, trocando olhares de confidências, pois sabiam o que esperava Girimum na casa de Talles.

 

Havia sido preparado uma festa de aniversário onde Girimum era o convidado especial.

 

Pais e professores, crianças, o padre da igreja, o pastor, o maquinista, o locutor da rádio local, todos se uniram nesta homenagem dos 80 anos de Girimum, o amigo incomum.

 

Quando Girimum vai entrando na porta, ele ouve no rádio:  Estamos neste momento, homenageando a pessoa do senhor Girimum, o nosso amigo incomum pelos seus 80 outonos.

 

Uma salva de palmas, alegrias, abraços, sorrisos e muitos votos de saúde e felicidades

 

Todos ficaram felizes, até o Prefeito da pequena cidade compareceu. 

 

Se não fosse sábado, com certeza a partir das 3 horas da tarde, o prefeito teria decretado feriado no pequeno vilarejo! 

 

Na sala grande Girimum corre os olhos e observa uma dezena que pequenos bebês, ainda nos seus 1, 2 aninhos e que ele mentalmente já os esperará no banco da praça, onde o prefeito carinhosamente colocou uma placa.

 

“ A festa era geral nos dois planos da vida.

 

Recebia Girimum o carinho das crianças da Terra e os eflúvios das luzes de paz dos abraços  dos amigos do Plano Espiritual.

fin-fin

 

 

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Agradecimentos

Aos Benfeitores Espirituais, que são nossos Anjos Guardiães que nos inspiram, aos meus netinhos Talles, Kalel, Joshua, Isabella, Georgia e Nicolas que são luzes da minha alma, aos meus filhos Daniel, Janine e Giovana, ao meu pai, perolas ímpar em minha vida,  amigos que me incentivam sempre!

 

 

 

 

 

 

 

O Jardim Encantado

O Arco Iris e a Floresta Verde


Elsa Rossi

 

Certa vez, todos os animais da Floresta Verde , cansados que estavam, de tantos problemas, decidiram construir o Jardim Encantado, onde pudessem ter muitas flores perfumadas, para ser abrigo de muitas abelhinhas  e passarinhos como o Beija-Flor.

 

Mas o objetivo maior era que houvesse uma grande plantação de PAZ e UNIÃO.

 

Para isso se poriam em marcha a caminho, em busca do Arco-Íris da  Alegria. Mas não sabiam para que lado deveriam ir.

 

Os mais sábios, como o Leão, a Coruja e a Raposa, diziam que o Arco-Íris ficava ao Norte da Floresta Verde.

 

Os mais inteligentes como o Elefante e o Gavião e o Boto Cor de Rosa diziam que o Arco-Íris ficava ao sul da Floresta Verde.

 

Os mais humildes, os mais simples, como o Rouxinol, a Tartaruga e o Cervo entre outros,  diziam que para se encontrar o Arco-Íris, primeiramente todos tinham de cultivar a PAZ em seus corações.

 

Como haviam diferentes opiniões sobre qual direção deveriam seguir, resolveram fazer uma votação.

 

Assim todos os animais poderiam participar e quando se tivesse o resultado para qual direção deveriam todos seguir, iriam juntos.

 

Pensaram, pensaram... E decidiram uns que deveriam se seguir para o Norte da Floresta Verde, outros pelo Sul e outros ficaram pensando, meditando no que dissera o Rouxinol, com seus belos gorjeios musicais, o qual encantava toda a Floresta Verde.

 

O Rouxinol cantava tão alto, que enternecia a todos os corações. Assim ouvindo e meditando na música do Rouxinol, os corações começaram a sentir PAZ.

 

Neste momento em que a PAZ reinava em todos os corações, apareceu o Arco-Íris.   Que surprêsa maravilhosa! -  disseram todos.

 

Eram muitos animais, grandes e pequenos, aves de todos os tamanhos. Vinham de todas as partes, de todos os recantos da Floresta Verde.

 

 Havia até a participação dos peixes e dos insetos. Toda a natureza, todos os habitantes da Floresta Verde estavam atentos à música maravilhosa do pequeno Rouxinol.

 

E eles não precisariam fazer longa caminhada ao Norte, nem ao Sul...

 

Ele o Arco-Íris de multicores, estava ai, envolvendo a todos, na doce PAZ dos corações....

 

Como isso foi bom, porque com  a PAZ nos corações de todos os habitantes desta Grande Floresta Verde, o Arco-Íris poderia ficar ali por longo tempo, unindo todos eles.

 

Os sábios, os inteligentes entenderam que o mais importante é ter os mesmos pensamentos no amor e na PAZ, para se conquistar a união.

 

E tendo união, todos conseguem seus objetivos.

 

Unidos poderiam construir  o tão esperado Jardim Encantado.

 

E o Arco-Íris da Alegria ali estava, ele próprio unindo muitas cores, dando um colorido aos céus da Floresta Verde.

 

Todos os animais ficaram felizes e puderam construir o Jardim Encantado, realizando pela primeira vez a grande Festa da PAZ nos Corações de todos os habitantes da Floresta Verde.

 

 

                            Fin-fin

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A Realizadora de Sonhos

                        

             A Realizadora de Sonhos

                                                   Elsa Rossi

 

 

Certa vez, havia uma família que vivia em uma fazenda, situada a 12 milhas de Lairg, um pequeno vilarejo muito antigo, localizado na bela paisagem das terras altas da Escócia, as famosas “ Highlands”.

 

“Fazenda dos Sonhos”, era esse o nome.

 

Situava-se no alto da montanha, e um de seus limites, era justamente as margens de um belo lago, muito comprido. Quem não conhecesse o “Lago dos Sonhos”, pensaria tratar-se de um rio.

 

A família Rose era composta pelo casal Anna e Mike, Stella a filha maior com 17 anos, Johnny com 14 e Hilary com 10 aninhos.

 

Muitas ovelhas, algumas reses e dois cavalos compunham os animais produtores de leite, lã e transporte, para suprir algumas das necessidades da família. 

 

Apesar de todas as dificuldades que a  família vinha enfrentando por 3 anos, havia muita paz.

 

Stella era o arrimo do lar.

 

Sr. Mike e sra. Anna tinham a aparência saudáveis, não fosse a  doença que ambos haviam  contraído e que não lhes permitia mais realizarem longas caminhadas, nem cavalgadas pelas terras, como faziam tempos antes.

 

Já por 3 anos, Stella vinha arcando com todas as responsabilidades da casa.

 

No seu coração extremamente bondoso, só tinha lugar para o amor e a paciência, virtudes que desde pequena aprendera com os pais, religiosos educadores e conhecedores da Doutrina Espírita.

 

Sr. Rose tinha um único exemplar do Evangelho e do Livro dos Espíritos que recebera de um viajante que passara pelas terras de seus pais, quando ele era ainda um jovem.

 

Estudara muito os dois livros e encontrara todas as respostas para uma vida digna diante de Deus.

 

Com esses livros educara os filhos com muito amor.

 

Porisso a sua, era uma família muito unida.

 

Esse era o seu sonho realizado.

 

A filha Stella, muito prestativa,  tangia as 12 cabeças de gado para o abrigo, no inverno, assim como tosquiava as ovelhas no verão.

 

Ia toda a semana para a cidade acompanhada por Johnny. Utilizavam a charrete puxada pelo cavalo Baio, para apanharem os víveres necessários, pagar contas, acertar vendas da lã após a tosquia entre outras coisas.

 

Johnny e Hilary eram muitos prestimosos no zêlo para com os pais e ajudavam Stella em tudo.

 

Assim conseguiam  colocar as tarefas caseiras em ordem, porque a união deles propiciava isso.

 

Todos saiam vitoriosos, sem brigas, sem rancores.

 

Era realmente uma família feliz.

 

Stella não descuidava que Hilary e Johnny fossem pontuais para a escola todos os dias.

 

Eles iam de bicicleta. Venciam as 6 milhas de distância envolvidos pela paisagem maravilhosa até a Escola de Lairg.

 

Stella tinha um carisma e um poder de ação no bem, tão intensos, que por mais dificuldades lhe aparecessem no caminho, ela as contornava com altivez e humildade.

 

Muitas situações boas aconteciam sob suas sugestões e conselhos, para aqueles que a  procuravam.

 

Com isso, passou a ser conhecida nas redondezas como a “Realizadora de Sonhos”.

 

Ganhou esse título quando, certo dia, um casal estava desesperado pelo filhinho que nascera com problemas psicomotores e os médicos não conseguiam curá-lo de forma alguma.

 

Numa das rotineiras idas ao médico, a família para ‘a beira do lago para descansar e vêem Stella carregando uma das ovelhinhas que caíra numa vala e estava com  perninha quebrada.

 

Aproxima-se o senhor viajante, e ajuda-a a colocar  a ovelhinha sobre o dorso do cavalo.

Ambos iniciam um fraternal diálogo.

 

Stella convida o casal a irem até sua casa, para tomarem um chá quente, já que teriam ainda 6 milhas até a Vila e de lá apanhariam o trem que os levaria ao destino desejado.

 

Eles aceitam e Stella pede para ver o pequenino doente e o carrega em seus braços.

 

A criança que aparentava ter 1 aninho, mas na realidade já havia completado 3,  parecia estar  dormindo. Derepente emitiu um som e abriu os olhos.

 

Os pais se voltaram assustados, olham o filhinho e o vêem de olhos abertos e continuando a  emitir sons que eles nunca tinham ouvido antes.

 

Para Stella aquilo era normal.

 

Para os pais aquilo era um fenômeno que não acontecia, dado o filhinho ter nascido e ter ficado no hospital por um ano, quando então os médicos disseram que o casal  poderia ter a criança em casa, mas que a condição seria aquela. A criança iria permaner de olhos fechados quase todo o tempo. Muito lentamente desenvolveria o físico e teria falhas na aprendizagem da fala entre outros problemas, quando crescesse.

 

-         Parece um sonho!  Balbuciou a mãe.

O pai teve a mesma sensação de que teria sido um sonho acordado, terem ouvido o filhinho emitir um som que eles não tinham ouvido antes.

 

Assim foram caminhando até chegarem no alto da colina.

 

 A fumaça que saía pela chaminé mostrava que a lareira e o fogão estavam trabalhando com toda a lenha e com certeza os aguardava uma caneca de chá quente.

                                                 

Ao se aproximarem da porta, foram recebidos por Hilary que já os avistara pela janela envidraçada, que dava para o norte, de onde o vento soprava muito forte.

 

Os vidros da janela estavam sempre muito limpos, para que se pudesse apreciar a bela paisagem do lago e das montanhas cobertas de neve no inverno. 

 

O casal sr. Winston Clarke e sra. Maggie Clarke adentram a porta, e no calor da casa sentem-se muito à vontade. Os pais de Stella sorridentes, oferecem o chá quente com biscoitos que a sra Anna fazia muito bem.

 

Em dado momento, mais um som infantil vindo do quarto, onde puseram a repousar o pequenino George.

 

Maggie a mãe, não se contém e em um pulo só adentra ao quarto e vê o pequenino com as mãos erguidas e tentando levantar desajeitadamente a cabecinha do travesseiro.

 

Maggie dá um grito e todos vêm junto dela e vêem o pequeno George sorrindo.

 

-         É um sonho!  Meu Deus como isso é possível?

 

Diz Maggie quase chorando de alegria.

 

Stella mais afastada, ora a Deus, como sempre fazia. Aquela não era a primeira vez que isso acontecia.

 

A jovem se aproxima dos demais, pede para segurar George em seu colo novamente.

 

Pede ao casal que se sentem no banco ao lado e os demais na borda da cama.

 

E com a voz compassada, fala a todos:

 

-   Queridos amigos.

 

-   Agradeçamos a Deus essa dádiva.

 

-   É hora de seu filhinho ganhar a liberdade da prisão desse mal que o acomete e que até agora não deixava seu espírito se manifestar livre no próprio corpo.

 

-   George a partir de hoje, começa a ganhar a liberdade na recuperação da saúde...

 

- Mas essa liberdade será pautada no amor ao próximo,  na gratidão a Deus, na caridade e na tolerância para com todos.

 

- Vamos todos orar e agradecer ao Divino Amigo Jesus, a melhora de George. Lentamente ele recuperará sua saúde. Tenham muita fé e confiança em Deus.

 

E inicia uma maravilhosa prece de gratidão, acompanhada em silêncio pelos demais!

 

Depois, levantando-se com George ao colo, diz:

 

- Façam o que deve ser feito. Vão ao médico para os exames rotineiros, mas confiem, que o maior médico das almas, Jesus, está cuidando de seu filhinho George.

 

- Procurem não comentar esse feito, mas tenham em seus corações a certeza de que o amor cobre todas as falhas, pelo perdão, resignação e caridade uns para com os outros.

 

O pai de Stella que havia criado os 3 filhos na educação, na moral e com Deus no coração, agradecia a Jesus as palavras da filha inspirada.

 

Assim, aquela tarde foi repleta de alegria ao jovem casal Maggie e Winston, que muito agradeceram e seguiram viagem.

 

George, antes de partir, recebeu beijos e abraços muitos energizados de todos os membros da família Rose.

 

Depois que a família partiu, Hilary começou a lembrar os acontecimentos que se deram anteriormente, nos quais Stella estivera envolvida.

 

A jovem Stella sempre estava realizando alguma coisa especial junto às pessoas desestimuladas da vida, sem esperanças, doentes, aflitas, que traziam os problemas de toda ordem.

 

Oferecia Stella,  uma palavra de consolo, conforto e encorajamento. Muitos dos que vinham ter com ela, vinham de lugares distantes, e atendiam ao chamado a vivenciar a vida em forma de amor, tolerância, paz e perdão, união e fraternidade.

 

Acabavam por ver seus problemas de outra maneira e melhoravam as suas vidas.

 

O mais interessante é que a “Realizadora de Sonhos”, nada fazia para ser tão procurada, apenas dava o que recebia, o dom de amar, de entender, de auxiliar e de viver com a humildade no coração.

 

Quando os que a procuravam, para buscar ajuda para seus problemas vinham a conhecer seus pais, sentiam-se até envergonhados e ganhavam mais confiança nas palavras de Stella, que nunca  deixava quem quer que fosse procurá-la, sem receber ajuda.

 

Um detalhe importante.

 

Stella sempre pedia a todos que guardassem consigo o que recebiam, agradecessem a Deus  e que se mantivessem no caminho de Jesus.

 

Mesmo assim, a notícia se espalhava de que nas terras altas da Escócia existia uma jovem fada realizadora de sonhos.

 

Umas das situações mais interessantes que se conhecia, era a do casal Smith, da fazenda fronteira com a dos pais de Stella.

 

Eles ja estavam casados a 6 anos. O maior sonho deles era ter um filhinho, nem que fosse apenas um. 

 

O casal Smith não acreditava em Deus, porque o bisavô, o avô e os pais assim os educaram.

 

Temiam a religião, porque muitos dos antepassados da família foram mortos em nome da religião, coisas do gênero.

 

Mas, conhecendo a vida exemplar da família Rose, viram que as crianças tinham o melhor comportamento possível. Isso levou-os um dia a buscar orientação com Stella, como já haviam feito outros amigos do casal Smith.


Assim fizeram.

 

Foram visitar a família Rose, conversaram com Stella, sorriram muito, sentiram-se felizes e algo dentro deles modificou.

 

Perceberam que o lar dos Rose tinha algo diferente. Sentiram-se uma psicosfera iluminada, radiante. Um ar muito gostoso de respirar, leve. Porisso todos se sentiam bem quando lá chegavam.

 

Era um lar cristão!

 

O casal Smith aprendera a orar com Stella, a entender um pouco mais a Jesus, que nem siquer conheciam.  Jesus não fazia parte de suas vidas.

 

Passados 5 meses, o casal Smith faz nova visita a família Rose, desta feita, levando a notícia de que dentro de 6 meses iriam ser pais pela primeira vez.

 

Foram abraços, momentos de alegria.

 

Dona Anna, abraçando a vizinha amiga, muito feliz disse que se encarregaria de ajudar no enxoval.

 

O sr. Rose faria o bercinho, pois era hábil na marcenaria.

 

Com lágrimas de alegria, a sra. Smith abraça Stella e diz:

 

-   Querida “Realizadora de Sonhos”.

 

-   Graças a Deus que temos o privilégio de conhecê-la, pois voce nos ajudou a conhecer a Jesus, a amar a Deus e nos ajudou a realizar o nosso maior sonho: Termos nosso filho.

 

-   Agora vamos ser pais depois de longos anos de espera. Estamos muito felizes!

 

Stella muito emocionada falou:

 

-                     Sra. Smith, nada realizo sem a ajuda do Mestre Jesus e dos Benfeitores Espirituais. E ainda tem o fator merecimento.

 

E continuando:

 

-         Eu nada poderia fazer se não fosse pelos seus próprios merecimentos. Nada sou, a não ser uma uma pessoa que intermedia alguma um dom, nada realizo de mim mesma. Deus é o nosso Pai e ele  nos quer a todos felizes, depende de nós próprios.

 

Assim continuaram os dias.  A “Realizadora de Sonhos” realizou-se na vida, casando-se com um jovem que viera ministrar a Igreja Anglicana de Lairg.

 

Tiveram muitos filhos!  Todos eles receberam desde a infância, os ensinos de Jesus, como Stella recebera de seus amados pais.

 

                                                      Fim 

 

Aguardando registro no Ministério da Cultura sob nº.   ®

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Alain O Fantasminha do Alem

                                   

Era o outono de 2003.

 

O Liceu Educacional “Saint Etienne” daquela pequena cidade no interior da França, dava início a mais um ano escolar.

 

O Diretor estivera um pouco aborrecido, porque a procura de vagas, por parte de muitos pais para matricularem seus filhos no Liceu, naquele ano, novamente foi além das expectativas. O Liceu era conhecido em toda a França, por uma fato extraordinário que somente lá se passava. Um fantasminha morava na escola. Isso mesmo! Um fantasminha há muitos anos permanecia no Liceu.

 

Alegre manhã ensolarada.

 

Soa a campainha.

 

Os alunos felizes, se dirigem para as suas salas de estudos. Em breve o professor adentraria ‘as salas e daria as boas vindas aos pequeninos e aos jovens.

 

Ouvia-se além do barulho normal das crianças, um som diferente. Mas nestes momentos de muita euforia, ouvia-se tudo e nada se escutava direito.  A euforia do primeiro dia de aula!

 

As salas já estavam repletas de alunos. A alegria continuava entre todos. Muitos já eram estudantes do Liceu já por vários anos, desde o Jardim de Infância e outros lá estavam pela primeira vez.


Mas uma coisa era certa!!!

 

O assunto que mais comentavam, era sobre o Alain, o Fantasminha Sorridente.

 

A professora Beatrice entrou na sala de aula número 13, onde se concentravam as crianças com a idade de 13 - 14 anos.

 

Após as boas vindas por parte da professora, ela abriu o espaço para que as crianças se apresentassem, dissessem seus nomes, de onde vinham e falassem um pouco de si mesmas. Uma técnica de descontração.

 

Conrado, um jovem de 13 anos e meio, apresentou-se.

 

Era a primeira vez que seus pais o matriculara para estudar no Liceu. A família fora transferida da Alsácia para o Sul da França.

 

Outros alunos fizeram o mesmo que Conrado e também se apresentaram.

 

Chegando a vez de Marjorie, ao invés de seguir a ordem sugerida pela professora, ela imediatamente perguntou sobre o Fantasminha Amigo, um tal de Alain.  A professora riu, os alunos riram também.

 

Todos tinham a mesma pergunta dentro de si. Prevendo isso, a professora Beatrice disse:

 

-               Marjorie, apresente-se corretamente e depois que todos se apresentarem, falaremos um pouco sobre o Alain, o Fantasminha do Além, esta bem? 

- Ouviu-se alguns risinhos mais...

 

- Sim, disse Marjorie!

 

Após os 23 alunos declinarem seus nomes, Marjorie ia novamente abrir a boca, quando a mestra fez um sinal de silêncio, colocando o dedo indicador sobre os lábios.

 

Em seguida, a professora Beatrice começou a falar!

 

Meus queridos alunos!

 

 Hoje iniciamos mais um ano de estudos, onde voces farão suas obrigações de comparecerem às aulas, comportarem-se e estudarem as lições, e eu farei as minhas obrigações de instruir de estar sempre aqui para auxiliá-los.

 

Sei que a maioria de voces já ouviu ou já conhece o Alain, ou pelo menos alguns de voces o vêem constantemente. Os que conseguem vê ou ouvir Alain pelos seus pensamentos são crianças tão normais quanto os que não têm essas faculdades. Isso é muito comum na infância, ter uma visão para coisas e objetos e até mesmos pessoas, que estão em uma outra dimensão.

 

O Alain é um fantasminha amigo de todas as crianças. Em todos os momentos de dificuldades que tivemos aqui na escola, ele sempre esteve colaborando de alguma forma. Com isso, tornou-se tão querido e especial.

 

Voces ainda são crianças, mas já podem imaginar que muitos pais desejam colocar seus filhos nesta escola, porque já sabem as boas notícias sobre o Alain.

 

Marjorie, não conseguindo ficar quieta, resolveu arriscar uma pergunta!

 

-         E quem foi Alain? Ele morreu e o espírito dele continua aqui, então ele viveu aqui. Quem foi ele, professora Beatrice?

 

A professora que já era velha conhecida de Alain, relata o seguinte.

 

Alain era um jovem estudante do  Liceu há mais de 70 anos atrás. A vida dele foi pautada no amor e atenção para com todos os alunos, professores, pais e funcionários do Liceu.

 

Um dia, houve um acidente e Alain partiu para o outro plano da vida. Foi lamentável o que aconteceu e todos ficaram inconformados com a ausência dele. Com isso, Alain permaneceu no Liceu, apesar de não ter mais a aparência física.

 

Ele descobriu que alguns alunos e mesmo, alguns trabalhadores podiam vê-lo e mesmo ouví-lo e isso o deixou feliz.

 

Havia na época um funcionário que fazia a limpeza da escola. Ele era o intermediário entre Alain e muitas pessoas.  Então ele é um medium.

 

E assim o tempo foi passando. Muitas vezes, crianças em necessidades ou doentes, diziam a seus pais que Alain estivera com eles. As crianças melhoravam e voltavam mais rápido para escola.

O mesmo acontecia com um ou outro professor do Liceu, que tinha problemas seja de saúde ou outro. Diziam que sonhavam com Alain e em sonhos Alain os ajudava a melhorarem e resolverem seus problemas.

 

O Fantasminha Alain fazia também algumas pequenas brincadeiras com as crianças, só para sentir como estava sua comunicação e ação junto às crianças. De vez em quando derrubava o estojo de canetas e lápis, fazia o jato de água do bebedouro ficar um pouquinho mais forte e molhar de leve o rosto de algumas crianças nos dias quentes do verão, coisas assim.

 

Mas isso as crianças não se importavam, e algumas até arriscavam dizer: “Isso é coisa do Alain”, tal a familiaridade que tinham com o fantasminha. Algumas até viam quando Alain fazia isso. 

 

Dessa maneira, os relatos foram passando de um para outro, de geração para geração, chegando até aos dias atuais. 

 

O Liceu Educacional tinha o seu próprio fantasminha protetor...e brincalhão.

 

Terminada a explicação sobre o Alain, pela professora Beatrice, Marjorie não conseguindo ficar quieta, voltou com uma nova pergunta! (Como perguntava, a menina Marjorie, voces precisavam ver!)

 

-         Professora Beatrice,  se o nome dele era Alain, porque todos continuam o chamando pelo nome de Alain?

 

-         Porque era esse mesmo o nome dele, e quem o via, o reconhecera pela foto que era o Alain que estudara aqui. Só isso.  

 

Neste momento, Marjorie solta um gritinho e disse:

...mas professora Beatrice...fantasmas fazem um som de fantasmas úúúúúúúú’hhhhhhhh e o Alain não faz tambem?

 

Nisso, Marjorie da um pulinho na cadeira que estava sentada e aponta com o dedo, alguma coisa ao lado de dona Beatrice...

 

Era o Alain fazendo úúúúúúú pra Marjorie.

 

- Professora Beatrice, o Alain está aqui e esta me fazendo um sinal perguntando se ele pode falar!

 

E Marjorie fazendo uns gestos com as mãos dizia, apressadamente:

 

Por favor, deixa ele falar, deixa, deixa!

 

- Mas, Marjorie..., disse a professora:

 

- Só voce o está vendo, os demais não estão.

 

Neste momento, Conrado com toda a sua calma, levantou a mão e disse a professora que ele também estava vendo o Alain.

 

Sabem o que Alain queria dizer?

 

Apenas as boas vindas aos alunos. Marjorie transmitiu a mensagem de Alain.

 

Ele estava feliz de poder estar ali, em um novo ano que se iniciava. Ele disse que quando chegam as férias, que os alunos se vão em viagens e ficam quase 3 meses sem ir pra escola.  Ele, o  Alain ficava triste.

 

Mas agora ele estava bem e feliz!

 

A professora disse aos alunos.

 

- Vamos agradecer ao Alain, batendo palmas para ele ver a nossa alegria em tê-lo conosco também. Mas agora, vamos continuar nossa conversa sobre o ano letivo...

 

Sem mais interrupções, prossegiu-se o primeiro dia de aula.

 

Ao final do dia, as crianças retornam para suas casas.

 

Conrado e Marjorie, que moravam próximos um do outro e já eram amigos desde antes iniciarem as aulas no Liceu, seguem pensativos, sobre o acontecido pela manhã.

 

A casa de Marjorie era mais próxima da escola. Ficava numa alameda com muitas árvores altas e muitas flôres nas laterais das calçadas.

 

Um vento suave roçava as fôlhas e galhos e podia se perceber o som do ar:  YUUUUUUUUUUUUUHHHHHHUUUUU.

 

Majorie sorriu para Conrado, dizendo:

- Será que o Alain nos seguiu?  Não o estou vendo, voce está Conrado?.

 

- Não,  disse Conrado.

- É somente o vento roçando nas folhas das árvores, cantando no final do dia.

 

Marjorie abraçou-o e despedindo-se do amigo. Já chegara em frente a sua casa.

 

Conrado seguiu adiante sozinho, pensativo. Iria por certo, contar aos pais o acontecido. Lugar de Espíritos é no mundo espiritual, pensava com seus botões. Pobre Alain!

 

Ao chegar em casa, guardou sua mochila, lavou as mãos, foi até a cozinha beijar sua mãezinha, que já estava preparando o jantar.

 

A mãe pergunta-lhe sobre o seu primeiro dia de aula na nova escola. Querendo saber muitas coisas, faz várias perguntas a Conrado. Ele responde a mãezinha com alegria sobre as novidades da escola. Conrado estava muito feliz por estudar no Liceu, pois esta escola situava-se próximo de sua casa, e tinha um espaço enorme com muitos jardins e até mesmo cavalos, ovelhas, um grande aquário, um lago, onde seria possível ter aula de botânica e natureza.

 

Era uma pequena fazenda, essa escola.

 

Mas o que Conrado queria mesmo era relatar aos pais sobre o Alain. 

 

A família já vinha se esclarecendo com os estudos das obras espíritas. Conrado, apesar de ainda muito jovem, tinha conhecimento sobre a continuidade da vida após a morte. Os pais de Conrado realizavam todas as semanas, o estudo de O Livro dos Espíritos  e com isso, os fenômenos de aparições e outras manifestações de espíritos, não os amedrontavam porque sabiam que as almas dos homens continuam vivendo num outro plano da vida.

 

Ele, Conrado nascera neste lar de amor.

 

Conrado meditava sobre o Alain. Falou para mãezinha que o espírito Alain permanecia no Liceu, mas que ele deveria ser encaminhado para o esclarecimento no plano Espiritual.

 

-         Voce não acha, minha mãe?  Falou Conrado.

 

A mãe de Conrado, a senhora Lina, ao ouvir o relato do filho, respondeu:

 

-         Alain optou por permanecer no Liceu, devido ao sentimento que as pessoas tiveram quando de sua desencarnação. Os pensamentos forte e constantes de nós, encarnados, também podem influenciar os espíritos que partiram, meu filho.

 

Aguardemos a chegada de seu pai e juntos vamos conversar sobre isso.

 

Quando Johnny, o pai de Conrado chegou do trabalho, a família se reuniu para buscar uma solução para ajudar neste caso.

 

O senhor Johnny já ouvira algumas informações sobre o fantasminha do Liceu.

 

 Senhor Johnny disse que no dia seguinte, ao realizarem o Evangelho no Lar, iriam vibrar pelo espírito Alain. Pediriam aos Benfeitores a ajuda para que o espírito fosse encaminhado para a escola Espiritual, onde ele aprenderia sobre a continuidade da vida e as novas oportunidades de reencarnação. 

 

Com certeza isso aconteceria.  Os pais de Conrado, sendo espíritas a muito tempo, tinham por hábito fazer a caridade através do Evangelho no Lar, através da oração. 

 

Assim programado, no dia seguinte, Conrado se encaminhou pra escola.

 

Adivinhem quem o aguardava no grande portão de ferro?

 

O Alain! Isso mesmo!

 

Conrado assim que o viu, emitiu a ele um pensamento de amor, mas Alain não estava assim tão feliz porque sabia o que Conrado pensava sobre um espírito estar ainda no meio dos encarnados agindo solitariamente, da forma como Alain fazia.

 

Permanecendo no plano terreno, mesmo sem o corpo físico, e pertencendo ao plano espiritual, para onde deveria ele, Alain permanecer.

 

O Espírito Alain  sabia, que deveria ter partido para as escolas do mundo espiritual, preparando-se talvez para mais uma encarnação sua. Mas relutara. E a hora estava se aproximando desse acontecimento. Ele bem o sabia!

 

Conrado ao se aproximar de Alain, orou a Jesus e pediu ajuda.  O fantasminha em segundos desapareceu da visão psíquica de Conrado.

 

Nisso, aproxima-se Marjorie muito sorridente. Ambos caminham juntos atá a porta da sala de aula. Sentam-se em seus lugares.

 

Antes da entrada da Professora, Conrado relata a Marjorie sobre a reunião que seus pais costumeiramente realizavam todas as semanas, em torno do Evangelho no Lar, e que iria acontecer naquele dia, logo mais a noite, antes do jantar.

 

Marjorie que também era paranormal pois tinha a faculdade de vidência tal qual Conrado, pediu pra participar das orações. Marjorie queria ajudar o fantasminha Alain.

 

Assim feito.


Final do segundo dia de aula.

 

Em casa de Conrado, a senhora Louise, já havia preparado o ambiente, com música suave, uma jarra de água e copos sobre a mesa, exemplares de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

 

Sentou-se o senhor Johnny numa das cadeiras junto a mesa. Em poucos segundos, uma prece suave, subia aos céus, saindo do coração de sr. Johnny. Conrado, Marjorie e sra. Louise, acompanhavam em silêncio.

 

Iniciaram a leitura e em seguida procederam comentários sobre o capítulo lido do Evangelho. Foram momentos iluminados, onde todos estavam sendo beneficiados pelas miríficas luzes que se faziam presentes nos ambientes de oração.

 

No encerramento, quando o Sr. Johnny fazia as vibrações, estava ele rogando por Alain, quando o espírito Alain adentra ao recinto, trazido por dois Benfeitores. Conrado o vê e percebeu que Alain estava calmo e que lágrimas desceram de seus olhos espirituais.

 

Recebeu o espírito as vibrações de todos os quatro amigos físicos presentes ao estudo do Evangelho. Uma emoção tomou conta de todos, pois sabiam que jamais estariam sozinhos nesta tarefa de amor, de caridade, através da oração.

 

Conrado e Marjorie vêem, quando os dois espíritos amigos tomam os braços de Alain, cada um de um lado, e levam o amigo fantasminha para o descanso espiritual, tão merecido, pois fora ele, Alain, uma bondosa pessoa, quando encarnado.

 

Assim  feito, o tempo passou, os meses passaram, mais um ano que findava.

 

Alain passou a ser apenas uma lembrança querida e em algumas vezes, através dos sonhos, tinha permissão de visitar os estimados amigos que o ajudara, após tantos anos ligado ainda ao Liceu.

 

E assim, os anos se passavam. Os dias no Liceu continuavam.

 

As crianças não mais viam o Alain, mas tinham a sua história na memória.

 

Se alguém daquela cidadezinha tinha de mencionar onde estudara, quando criança, a resposta era sempre a mesma:

 

Felizes e sorridentes, respondiam:       " No Liceu do fantasminha Alain. "

 

 

 fin©

                                                                                                  Autor: Elsa Rossi  - 

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Os Bombons de Marieta

Os Bombons de Marieta

Elsa Rossi

 

Quase todos os dias, Marieta de casa saía!

 

Naquela manhã radiante de sol, a bondosa doceira estava indo até a feira, fazer compras, sossegada  como ela só...

 

...Passo aqui...passo ali...com muita calma! Suas pernas doíam, mas em casa ela não ficava. Era seu exercício caminhar.

 

Não tinha pressa para nada.

 

Se avistasse um banco ou uma cadeira, apressava o passo, e ia se sentar.

 

Só apressava o passo nesta condição.

 

Do contrário, não apressava não!

 

As crianças do bairro adoravam Marieta. Ela havia sido a babá de muitos deles anos atrás, na vila onde morava.

 

Mas com as dores nas pernas e a idade avançando, agora eram eles que a rodeavam e quase a carregavam no colo.

 

Eram abraços carinhosos de todas as crianças para a querida Marieta.

 

E ela os amava muito.

 

Como a nossa bondosa Marieta…, as mães pensavam...

- não tinha havido uma babá igual!

Agora, já por muitos anos, ela vem fazendo bombons e o alvo são sempre as crianças.

 

Ela sempre mantinha bombons em sua sacola de feira. 

 

 

 

E todas as crianças que vinham abraçá-la já tinham assegurado o seu bombom.

 

Ela os fazia com muito carinho. 

 

Mas antes de entregar o seu delicioso bombom, ela perguntava à cada criança se ela havia praticado uma boa ação.

-         Que voce fez de bom, Ricardinho? – pergutava ela!

 

-         Eu ajudei a mamãe a juntar e queimar as folhas sêcas sobre o gramado do quintal e ajudei o papai a arrumar a cêrca que o vento derrubou.

 

-         Muito bem, respondia Marieta. Não se esqueça de escovar as unhas de vez em quando, ao lavar as mãos, Ricardinho.

 

-         Aqui está o seu bombom.

 

-         Que fez voce de bom, Rafael?

 

-         Ah, eu, depois da aula de música, fui ajudar o sr. Romeu a colar o papel de parede que havia descolado no quarto dele!

 

-         Ah! E tambem fiz meus deveres da escola sem sujar a mesa, disse Romeu!

 

-         E voce, Geórgia, conte suas boas ações.

 

Geórgia, era uma “figurinha especial”.  Ela andava com uma mochilinha verde nas costas cheia de objetos.  E não havia quem a fizesse esvaziar sua mochila.

 

Sabem o que Georgia colocava dentro da mochila? Ela carregava o ferrinho de passar roupas de brinquedo, o estojo de lapis de cor, o caderno de desenho, o cachorrinho de pelucia, panelinhas de brinquedo e uma porção de miudezas que para ela eram muito importantes.

 

Portanto, todos sabiam que nem podiam pensar em mexer na mochila de Geórgia.

 

Ao ouvir a pergunta da bondosa Mariana, dirigida a ela, Georgia começou a chorar! 

 

- Buááááá!  Buááááá!

 

- Eu não vou ganhar bombom, porque eu sei que fiz uma má ação.

 

Marieta deu a ela um lenço de papel para enxugar o nariz que estava úmido e disse a ela:

-         Voce já está fazendo uma boa ação, porque voce está dizendo a verdade, Georgia. Não está inventando mentira para ganhar bombom.

 

- Seja o que voce deva ter feito, pode ser consertado, minha pequenina. Se voce mesma sabe que foi uma má ação, não precisa comentá-la. Basta que não repita mais a má ação e pense no bem!

 

-         Aqui está o seu bombom  e procure fazer duas ações boas para compensar a ação que voce não gostou de ter feito.

 

E assim todos os dias ia a Marieta pelas ruas da Vila.

 

Ora no mercado, ora na padaria, todos a queriam bem! Até os adultos ganhavam bombons deliciosos da querida Marieta!

 

Para as crianças, não eram os bombons o mais importante e sim o abraço e as conversas com Marieta. Alguns até lhe faziam confidências e Georgia, que era a mais arteira, era uma delas.

 

Nas ruas todos a saudavam:

 

Bom dia! Bom dia!

 

Um belo dia, Marieta não apareceu.

 

As crianças esperaram!

 

A vendedora da padaria esperou! Sempre separava Marieta com um pão fresquinho embrulhado, para entregar a Marieta.

 

O  vendedor de frutas e verduras esperou! Ele sempre esperava Marieta com uma sacolinha de frutas e verduras pra bondosa babá que havia ajudado muito a ele, quando a esposa partiu para o Mundo Espiritual e o deixou com os tres pequenos filhos.

 

E Marieta não apareceu.

 

Havia expressão de tristeza em todos os rostos!

 

Que será que havia acontecido com a bondosa e calma Marieta?

 

No segundo dia que ela não aparecera, as crianças pediram aos pais para irem visitá-la.

 

Eram 7 crianças. Inseparáveis amigos.

 

O Rafael era um italianinho muito espertinho.

 

A pequenina Geórgia tinha vindo da África. Sua pele era negra e seus lindos olhos eram como duas jaboticabas brilhantes. Tinham a expressão da pesquisa e busca de aprendizados constantes. Estava sempre fazendo perguntas.

 

O Xay era um chinezinho que vivia sorrindo e era uma alegria estar em sua companhia. Tinha muita calma em todas as situações. Nunca brigava com os demais amigos!

 

A Hanna gostava muito de ir pra escola, adorava estudar. Tinha sempre um livro nas mãos.

 

Ela era uma indiana muito inteligente e sempre estava ajudando os demais amiguinhos com os problemas da matemática.

 

As gêmas Balila e Malila eram filhas de uma senhora que vinha dos Andes Peruanos e casara-se com um senhor ingles.

 

Malila e Balila eram o apelido de Marília e Beatriz.

 

Eram ambas portadoras de necessidades especiais e com a ajuda constante dos demais amiguinhos, seus probleminhas não atrapalhavam as suas vidas.

 

Isaac tinha vindo de Israel.

 

Tinha ele o cabelo cor do mel e falava muito bem o francês. Filho de uma senhora francesa e pai nascido em Israel.

 

Eles combinaram fazerem uma visita a Marieta e levar flores a ela.

 

Combinaram que cada um traria a sua flor predileta. Juntariam as flores, fariam um ramalhete bem lindo e levariam para Marieta.

 

Sabem o que as crianças fizeram?

 

Compraram uma caixa de bombons!  Isso mesmo!

 

Uma caixa de bombons! 

 

E lá se foram para o final da rua onde ficava a casinha da bondosa Marieta.

 

Chegando lá, abriram o portão sem fazer barulho, foram até a porta.

 

Hanna era a mais alta de todos e apertou a campainha que ficava no alto, na lateral da parede de pedra.

 

A campainha era antiga, de botão de ferro e com a chuva, enferrujara e não fucionava.

 

Marieta! Marieta! Somos nós! Gritou Hanna.

 

Marieta respondeu muito feliz: entrem meus queridos! A porta não está trancada, e a campainha a anos nào funciona.

 

Eles entraram e foram até onde  Marieta estava deitada.

 

Não posso caminhar, disse ela.

 

Meus pés estão inchados e estão muito doloridos!

 

Quando ela viu o ramalhetes de flores, quase pulou da cama e começou a chorar de alegria.

 

E ainda uma caixa de bombons!... Chorou e depois riu... mas riu mesmo, sem parar...

 

Ela achou muito interessante receber uma caixa de bombons.

 

As crianças se olharam uma para as outras... e não entendiam o que estava se passando, porque Marieta ria tanto.


Marieta com dor nas pernas... e rindo sem parar!

 

Será que Marieta ficou lelé da cuca?

 

Quando ela parou de rir, viu as carinhas espantadas, apressou-se em se explicar.

 

Meus queridos...eu sempre levei bombons para voces, porque sei da alegria que voces sentem ao saboreá-los.

 

E agora voces trazem bombons pra mim....

 

Muito obrigada, meus queridos.

 

E ficando séria, disse: - Abram a caixa!

 

-         Não, querida Marieta. Essa caixa de bombons nós a trouxemos para voce, responderam as crianças.

 

Marieta ia começar a rir novamente até se cansar... depois parou e disse:

 

-         Podem abrir a caixa de bombons e podem comê-los. Voce merecem!

 

-          Continuando a falar, Marieta explicou: Ainda ontem, o doutor Galileu veio até aqui me visitar e uma vez mais me deu ordens proibindo-me de comer doces.

 

-         E voces sabem, eu ajudei a criar o Galileu quando a mae dele partiu para a Patria Espiritual quando ele era pequenino, ficando mais dois irmaos para serem criados. Ele é como meu filho e tenho de obedecer.

 

Mesmo que eu não possa come-los, a minha alegria é fazer os bombons e levá-los a voces.

 

Eu, a muitos anos, não posso ingerir açúcar, meus queridos.

Assim, não demorou nem 10 minutos e a caixa dos bombons estava vazia.

 

E Marieta feliz da vida por ter recebido a visita das crianças que ela aprendera a amar de todo o coração. Em seguida perguntou a elas, sobre as boas ações.

 

A mais apressada em responder, adivinhem quem foi?

 

Isso mesmo.    A Geórgia. 

 

Anotem a boa ação da Geórgia:

 

Ela havia levado para passear, a cachorrinha Biluca, que pertencia a dona Nelly, visinha de sua casa. Dona Nelly tinha sido operada e estava em repouso, e Biluca precisava sair de casa todas as tardes, já estava acostumada a passear.

 

Georgia ajudou o seu irmãozinho Billy a escovar os dentes...

...e não deixou nenhum brinquedo jogado no chão do quartinho de dormir.

 

E assim, um a um iam relatando suas boas ações.

 

E Marieta não esquecia nenhuma delas.

 

Em dado momento, Marieta explicou às crianças que ela não poderia andar até que as suas pernas voltassem ao normal.

 

Rapidamente Hanna disse que ela, ao sair da escola, iria todos os dias visitar a Mariana.

 

Mas pensou melhor e falou com os demais amiguinhos:

 

Que tal a gente se revezar e vir a cada dia um de nós visitar a Mariana?

 

Somos em 7 e poderemos fazer isso muito bem!

 

Balila e Malila se olharam... como elas tinham o probleminha para caminhar iam precisar de alguém que empurrasse suas cadeiras de rodas.

 

Isaac prontamente se ofereceu para ajudá-las.

 

E assim fizeram por dois meses.

 

Enquanto faziam visita a Mariana, faziam boas ações. As crianças eram acostumadas a ter longos diálogos com seus pais sobre vários assuntos.

 

Estando com Marieta teriam oportunidade de conversar muito tambem.

 

Hanna ia buscar as verduras, leite e pão e o que Mariana precisasse do mercado!

 

Isaac cortaria a grama do jardim, enquanto Balila ou Malila estivessem conversando com Marieta!

 

Rafael passaria o aspirador na pequena casa e punha o lixo no latão da frente!

 

O Xay sempre trazia pasteis que sua mãe fazia, especialmente para Marieta e ainda lavava a louça que se acumulassem na pia.

 

Assim os anos foram passando!

 

A crianças cresceram, agora eram jovens, mais unidos do que nunca.

 

A amizade que eles nutriram durante todos esses anos, com as belas histórias de Marieta, e com a boa educação dos seus pais, fizeram deles pessoas de bem, adultos que eram, ajudando a comunidade a viver melhor!

 

As crianças, agora adultos estavam muito felizes.

 

Mesmo adultos, continuavam recebendo os deliciosos bombons da vó Marieta, como passou a ser chamada.

 

E Marieta adorava ser chamada assim.

 

Nossa querida amiga já não caminhava mais nas ruas, mas em casa, recebia sempre os seus netos de estimação. 

 

Era lá que eles iam quando tinham que ficar no silêncio para estudar para os exames da Faculdade. Era com Marieta que iam chorar as mágoas do coração quando estava florescendo o amor. Quantas histórias Marieta escutara ao longos desses anos todos. 

 

Seus pupilos agora já estavam adultos.  Cada um resolveu estudar uma profissão diferente.

 

Rafael, cuja família eram trabalhadores do Grupo Espírita local, resolveu estudar Medicina, para poder aplicar os estudos científicos da Doutrina Espírita na Medicina,  Hanna estudou Engenharia,  Georgia estudou Filosofia e Decoração, Malila resolveu estudar Psicologia, e Balila Biblioteconomia, Xay resolveu estudar Administração Hoteleira, Ricardinho resolveu estudar Engenharia Mecânica, o sonho dele era trabalhar com foguetes espaciais.

 

Mais alguns anos e todos se graduaram na Universidade.

 

Nunca deixaram de ir visitar a Marieta e saborear um dos seus deliciosos bombons, que agora eram produzidos para venda, porque Xay resolvera aprender a fazer os bombons e montar uma fábrica de chocolates especiais, com o nome:

 

                       “CHOCOLATES

                         XAY-MARI”

 

 Nas embalagens de chocolate, Xay colocou uma foto onde aparecia ele crianca com seu rosto colado ao rosto de Marieta, num mesmo sorriso de felicidade.

 

Era uma singela homenagem aquela amiga-avó postiça tão querida, que os acompanhou desde crianças em seus lindos dias de alegrias.

 

                            FIM

 

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® Autora do texto – Elsa Rossi

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Agradecimentos

 Aos Benfeitores Espirituais, que são nossos Anjos Guardiães que nos inspiram, aos meus filhos Daniel, Janine e Giovana, que me deram meus 6 netinhos, luzes de minha vida, Talles, Kalel, Joshua, Isabella, Georgia e Nicolas, e  aos amigos que me incentivam sempre a escrever e alguns ajudam na tradução ao frances, ingles e espanhol, de parte do material que escrevo.